Capítulo Um: O Genro Desprezado da Família Lin
Na nação Huaxia, na cidade de Binhai, no vigésimo quinto andar do Edifício Guofu de Comércio, um jovem de corpo esguio e alto, feições delicadas, mas com um olhar algo tolo e perdido, seguia pelo corredor, adentrando a área de escritórios.
— Lá vem o bobalhão buscar o presidente Lin de novo.
— Nunca entendi o que deu na cabeça do presidente Lin, contratar um idiota para ser genro.
— Uma flor desabrochando no esterco... Não, chamar aquele tolo de esterco seria ofensa ao próprio esterco.
No espaço de trabalho, as pessoas olhavam de soslaio para o jovem, riam e apontavam.
Contudo, o rapaz parecia alheio, sorrindo de forma boba enquanto puxava um homem de meia-idade e perguntava:
— Velho Zhang, velho Zhang, onde está Hanyan?
Zhang, ao ver o jovem com o rosto coberto de muco e saliva, sentiu-se imediatamente nauseado. Sua boca se contraiu com desprezo, afastando a mão do rapaz com repulsa, e só então apontou para o escritório ao lado:
— Chega, chega, aqui é área de trabalho, não fique puxando, o presidente Lin está lá.
— Ah, Hanyan ainda está trabalhando... Ela deve estar cansada. — O jovem olhou para o escritório com olhos vazios, depois correu apressado e empurrou a porta.
— Hanyan, vim te buscar para ir embora. — Mal entrou no escritório, o jovem viu Lin Hanyan, de figura esguia e beleza etérea, sentada diante do computador, concentrada em seu trabalho.
O jovem a contemplava, vestida em traje profissional, e sorria de maneira ingênua, correndo para levá-la para casa e jantar.
Todavia, uma moça voluptuosa, de saia curta e busto generoso, correu para interceptá-lo, falando suavemente:
— Su Ming, o presidente Lin ainda está ocupada. Sente-se no sofá, quando ela terminar, vocês vão juntos para casa jantar.
Su Ming hesitou, e logo começou a reclamar:
— Xiao Li, você está mentindo! Agora já é hora de ir embora, Hanyan precisa jantar, se não comer vai ficar com fome!
— Xiao Li, saia da frente, quero levar Hanyan para casa!
Su Ming protestava alto, logo discutindo com Xiao Li.
Nesse momento, Lin Hanyan, que trabalhava concentrada, franziu as sobrancelhas e finalmente ergueu a cabeça, revelando seu rosto sublime.
— Xiao Li, deixe Su Ming se aproximar — disse Lin Hanyan, seus lábios rubros se movendo, a voz melodiosa como um sino de prata.
Xiao Li hesitou, depois se afastou.
— Hanyan! Vamos, vamos jantar em casa. — Su Ming lançou um olhar feroz a Xiao Li, correu animado até Lin Hanyan e segurou sua mão delicada.
— Hanyan, preparei seu prato favorito: ovos mexidos com tomate. Venha logo para casa.
Su Ming puxava a mão de Lin Hanyan, insistindo. Ela sorriu e se levantou.
Lin Hanyan olhou para Su Ming, balançou a cabeça, pegou dois lenços de papel da mesa e limpou o rosto dele, removendo o muco e a saliva, falando com doçura:
— Su Ming, quando o nariz ou a saliva escorrer, use o lenço para limpar.
— Hanyan, eu sei. — Su Ming pegou um punhado de lenços e esfregou o rosto, espalhando os restos de papel e ficando ainda mais desajeitado.
Ao ver aquilo, Lin Hanyan sorriu com amargura, suspirou:
— Vamos, Su Ming, vamos jantar em casa.
Ela limpou cuidadosamente o rosto de Su Ming, preparando-se para partir.
Mas, naquele instante, um tumulto ecoou do lado de fora.
— Vocês da Ai Mei Cosméticos vendem só produtos falsos!
— Vou processar vocês! Vou acabar com essa empresa!
Pela janela de vidro, Lin Hanyan viu claramente uma mulher de meia-idade, baixa e rechonchuda, com o rosto coberto de marcas vermelhas, acompanhada de mais de dez seguranças robustos, causando alvoroço.
— Wang Chunlan veio? — Lin Hanyan franziu ainda mais as sobrancelhas ao ver a mulher.
Wang Chunlan era uma empresária famosa em Binhai, uma estrela popular que começou com restaurantes e construiu um hotel cinco estrelas, com lucros anuais de dezenas de milhões, influente em toda a cidade.
— Xiao Li, vigie Su Ming. Vou ver o que está acontecendo — disse Lin Hanyan, com o rosto levemente tenso, saindo do escritório.
— Hanyan, onde você vai? Vamos jantar em casa! — Su Ming, ao vê-la partir, ficou aflito.
— Hanyan, espere por mim! — Su Ming, apavorado, tentou correr atrás dela.
No entanto, ao levantar a perna, sua cabeça zumbiu, os olhos se reviraram e ele desmaiou.
— Su Ming! Su Ming, o que houve? — Xiao Li ficou atônita, depois ajoelhou-se e sacudiu Su Ming.
Por mais que chamasse, Su Ming permanecia inconsciente, caído no chão.
— Preciso avisar o presidente Lin! — Xiao Li mordeu o lábio, levantou-se apressada e saiu correndo.
Ao mesmo tempo, Su Ming, desacordado no chão, mergulhou em um estado peculiar.
Em sua mente, memórias infinitas começaram a surgir, preenchendo seu cérebro vazio.
De repente, Su Ming abriu os olhos, agora repletos de inteligência, em contraste absoluto com sua antiga tolice.
Sem expressão, ergueu-se, seus olhos afiados inundados de reminiscências.
— Então é isso... Então é isso... — Su Ming cruzou as mãos atrás das costas, balançando a cabeça e sorrindo levemente.
Agora, finalmente se recordava de tudo.
Su Ming era um cultivador, para ser exato, antes mesmo de a Terra existir, ele já cultivava em outro planeta.
Em sua jornada, encontrou o “Jing da Longevidade”, adquirindo a imortalidade.
Mas esse manual era estranho: concedia longevidade, mas jamais permitia avanço no cultivo.
Su Ming cultivou por bilhões de anos, permanecendo no estágio inicial.
Só aquele estágio, ele treinou durante bilhões de anos!
Mais tarde, atravessou o vazio, chegou à recém-criada Terra, vivenciou eras como o Jurássico e o Cretáceo, vivendo até o presente.
Durante esse tempo, fez amigos, discípulos, amores.
Mas, por mais que tentasse, não conseguia conceder-lhes a imortalidade.
Chegou a transmitir o “Jing da Longevidade” a todos, mas percebeu que, no universo, só ele podia cultivá-lo.
Por fim, viu seus amigos, discípulos, amores, morrerem um a um.
Até que, mil anos atrás, a mulher que mais amava partiu, e ele desmoronou.
Su Ming destruiu sua alma, gastou quinhentos anos para descobrir o tempo da reencarnação de sua amada.
Depois, mais quinhentos anos, e pagou com três anos de tolice para finalmente descobrir a identidade dela após a reencarnação.
Essa pessoa era Lin Hanyan.
Su Ming gastou quinhentos anos, preparou-se durante três anos, usou um método supremo e identificou Lin Hanyan.
Por desvendar o destino, sua alma foi ferida, tornando-o tolo por três anos.
Durante esse tempo, sofreu humilhações.
Mas, para seu consolo, Lin Hanyan, mesmo diante de sua tolice, honrou o matrimônio, casou-se com ele e cumpriu seus deveres de esposa.
Exceto pelo quarto nupcial.
— Hanyan, voltei — Su Ming cruzou as mãos atrás das costas, olhando para ela através da janela, com emoção nos olhos.
Sacudiu a cabeça, afastou-se de devaneios, abriu a porta e saiu do escritório.
Na outra ponta, Lin Hanyan, na área de trabalho, com as sobrancelhas tensas, falou com gravidade:
— Quem autorizou a promoção da máscara “Anjo Solitário”?
— Presidente Lin, foi o vice-presidente Lin Haiyang, seu irmão. Ele usou seu carimbo, está com sua assinatura — respondeu um jovem magro, suando em bicas, com voz trêmula.
Ao ouvir, Lin Hanyan fechou o rosto, os lábios tremendo de raiva.
A máscara “Anjo Solitário” fora desenvolvida por Lin Haiyang, seu irmão, que queria usar os recursos da empresa para promovê-la.
Após análise, Lin Hanyan encontrou muitos defeitos e recusou o pedido.
Jamais imaginou que Haiyang seria ousado a ponto de roubar o carimbo, assinar contratos e lançar o produto.
Agora, isso resultava nesse desastre.
Ao ver o rosto coberto de marcas vermelhas de Wang Chunlan, Lin Hanyan sentiu um frio na espinha.
Se fosse qualquer outro, poderia resolver, mas Wang Chunlan era diferente: uma empresária influente, capaz de arruinar a Ai Mei Cosméticos.
— Sra. Wang, desculpe — Lin Hanyan inspirou fundo, controlando a raiva. — Foi um acidente. Faremos compensação e recolheremos todas as máscaras “Anjo Solitário”.
— Compensação?! Meu rosto está arruinado, vocês podem pagar por isso?! — Wang Chunlan, mãos na cintura, bufava. — Vou processar vocês! Vou levar à falência! Todos irão para a cadeia!
— Sra. Wang, podemos conversar. — Lin Hanyan apertou os punhos, tentando se controlar.
— Conversar?! Não há mais o que conversar! — Wang Chunlan torceu os lábios, voz fria. — Já fui ao médico, ele disse que meu rosto está perdido.
— Diga, eu, Wang Chunlan, presidente do Yongxing Hotel, como vou aparecer em público com esta cara horrível?!
Wang Chunlan tremia de raiva, a gordura do corpo sacudindo.
— Lin Hanyan, te aviso: hoje não só vou processar, mas vou destruir sua empresa Ai Mei Cosméticos!
Sua face vermelha contorceu-se, e ela acenou aos seguranças:
— Quebrem tudo!