Volume I — O Advento à Terra de Outro Mundo Capítulo IV — Aquela que Habita meus Sonhos

Yang aku panggil adalah Tamamo-no-Mae. Angin yang tak bersua dengan hati 4259kata 2026-03-13 14:48:08

Gongsun Xin encontrava-se profundamente aflito; a quantidade de informações que recebera naquele dia era comparável, senão superior, ao que acumulou ao longo de dois anos neste mundo. Não, era ainda mais vasta do que tudo que aprendera desde sua chegada.

Apesar da inquietação, Gongsun Xin, no íntimo, não considerava aquilo um infortúnio. Afinal, quem não desejaria tornar-se mais poderoso? Quanto à origem desse poder, ele não estava realmente preocupado. Não era uma força proveniente do Continente Tian Shi, portanto, não havia o temor de ser vítima de alguma armadilha. Contudo, desconhecer as circunstâncias exatas de sua própria base espiritual era um incômodo.

Tamamo-no-Mae permanecia sentada junto à pequena mesa, furtivamente observando Gongsun Xin. Ela também não compreendia bem a situação, apenas sentia, vagamente, que talvez tivesse cometido algum engano; porém, por mais que tentasse, não conseguia recordar o quê.

— Ai...

Gongsun Xin soltou um suspiro profundo, afastando de si pensamentos dispersos, já que, de qualquer modo, não chegaria a uma conclusão. Decidiu então permanecer onde estava e pôs-se a cultivar sua técnica. Tamamo-no-Mae, ao notar sua decisão, levantou-se e saiu do quarto, fechando com cuidado a porta atrás de si e colando numerosos talismãs para impedir que alguém o perturbasse. Contudo, Tamamo-no-Mae não sabia que ninguém ousaria fazê-lo.

Diante da porta, Tamamo-no-Mae caminhava de um lado para o outro, hesitante, sua grande cauda oscilando incessantemente. Por fim, decidiu-se, tirou um talismã, segurou-o na mão, e fechou os olhos, como se fosse lançar um feitiço. Após alguns instantes, abriu-os desapontada, pois o talismã permanecia inerte.

— Ah!

Nesse momento, um grito de dor ecoou do interior do quarto de Gongsun Xin. Tamamo-no-Mae rapidamente guardou o talismã e correu para dentro, aflita.

— Master?

Gongsun Xin estava sentado no chão, com expressão atônita; ao ver Tamamo-no-Mae entrar, virou mecanicamente a cabeça e disse:

— Parece que minha energia espiritual está se esvaindo.

— ???

Tamamo-no-Mae também se alarmou; embora não houvesse um selo de comando entre eles, ela conseguia sentir que havia uma ligação. Afinal, Tamamo-no-Mae não podia obter energia espiritual deste mundo, tampouco podia cultivá-la. Como um caso especial de invocação, ela não sabia o que aconteceria caso a conexão com Gongsun Xin fosse rompida.

— Mas, ao menos, minha energia espiritual permanece no nível intermediário recém-alcançado.

Ao ouvir isso, Tamamo-no-Mae sentiu-se temporariamente aliviada. Enquanto o fornecimento de energia não fosse interrompido, haveria uma solução. Tamamo-no-Mae inclinou levemente a cabeça, pensativa, e então fixou o olhar em Gongsun Xin.

— Tamamo, não fique me olhando assim, é constrangedor.

Tamamo-no-Mae ignorou Gongsun Xin, foi até o exterior e trouxe a espada que Lin Zigan deixara, entregando-a nas mãos de Gongsun Xin.

— Master, segure a espada; tente sentir algo.

— Isso vai funcionar?

Mesmo relutante, Gongsun Xin tomou a espada das mãos de Tamamo-no-Mae. No instante em que a empunhou, uma transformação ocorreu: o ambiente encheu-se de uma aura solene e assassina. Pouco depois, Gongsun Xin tornou-se frágil, ofegando fortemente, e retornou ao seu estado normal.

— Master, sentiu algo? Alguma informação sobre sua base espiritual?

Gongsun Xin balançou a cabeça. Tamamo-no-Mae franziu o cenho; tal ocorrência excedia suas experiências, mesmo sendo uma grande yōkai de vasto conhecimento. Apenas pôde sugerir, esperançosa:

— Master, continue cultivando. Creio que o problema reside na base espiritual. A base espiritual e a classe formam o arcabouço do servo e precisam de “energia” para funcionar. Talvez, ao preenchê-la, os dilemas serão esclarecidos.

Gongsun Xin achou plausível a explicação de Tamamo-no-Mae e assentiu, retomando seu cultivo. Desta vez, Tamamo-no-Mae permaneceu ao seu lado, atenta a qualquer anomalia.

A prática se estendeu por horas; o céu escureceu, as estrelas encheram a noite, e só então Gongsun Xin despertou.

— Parece que não há mais nada de especial; o desaparecimento da energia espiritual tornou-se quase imperceptível. Estou prestes a alcançar o nível avançado.

— Sendo assim, já é tarde, Master! Vamos dormir!

Tamamo-no-Mae não se surpreendeu com o resultado; lançou-se sobre Gongsun Xin, mas ele reagiu rapidamente, esquivando-se.

— Espere! Como vamos dormir? Só há uma cama! Você não pode se tornar espiritual?

— Esqueceu? Não sou um servo. Então, é claro, dormiremos juntos~Mikon~

Tamamo-no-Mae voltou a se lançar sobre Gongsun Xin, que a empurrou. Contudo, em sua mente, lampejou o pensamento de “repor magia”.

— Oh-ho~Master, está pensando em algo impróprio, não está~

— Não estou!

Tamamo-no-Mae cobriu a boca, rindo furtivamente. Gongsun Xin, ruborizado, lançou-lhe um olhar ameaçador.

— Você dorme na cama, eu durmo no chão. Sem discussão!

Após dizer isso, Gongsun Xin tirou cobertores e outros itens do armário, montando habilmente um leito no chão. Murmurou um “boa noite”, deitou-se com as roupas e, embora não estivesse sonolento, foi imediatamente tomado pelo sono. Sobre o que Tamamo-no-Mae disse depois, nada ouviu; simplesmente caiu num sono profundo.

Por mais que Tamamo-no-Mae tentasse acordá-lo ou perturbá-lo, Gongsun Xin não dava sinais de despertar. Como mestra de feitiços, Tamamo-no-Mae não sentia influência externa; assim, deitou-se ao lado de Gongsun Xin, intrigada.

Aquela noite, Gongsun Xin não dormiu em paz. Sonhou. Embora soubesse que era sonho, tudo era intensamente vívido. Viu uma menina de menos de dez anos ingressando num dojo. Gongsun Xin esforçava-se para distinguir o rosto da menina, mas tudo era turvo; tentava ouvir conversas, mas não havia som algum; queria tocar o ambiente, mas seu corpo pesava como mil quilos.

A cena mudou: a menina crescia, e, embora não ouvisse os diálogos, Gongsun Xin percebia a admiração e reverência que todos sentiam por ela. Até o ancião mestre do dojo exibia aprovação em seu semblante.

Gradualmente, tudo escureceu; na sequência, já adulta, a menina, acompanhada por colegas, ingressava numa organização. Ali, passou longo tempo, e Gongsun Xin pôde ouvir, vagamente, palavras como “peão”, “expandir influência”. Depois, ela e alguns companheiros decidiram partir.

O quadro tornou-se negro; quando Gongsun Xin pensou que tudo havia terminado, viu-se diante de um aposento ensanguentado. A menina, empunhando uma lâmina, saía sem expressão. Gongsun Xin sabia que não era o mundo real, mas aquela cena o abalou. Nos quadros seguintes, a menina seguia matando incessantemente; corpos caíam um após o outro no lago de sangue.

Quando Gongsun Xin estava prestes a sucumbir, a cena mudou novamente: a menina repousava enferma, vestindo um haori azul-claro com o ideograma “sinceridade” junto à cabeceira. Ela só podia olhar; não tinha forças para vestir a peça que lhe pertencia.

Por fim, a menina fechou os olhos, silenciosa, e nunca mais despertou. Dessa vez, Gongsun Xin ouviu sua voz: embora frágil, percebia a vitalidade que ela tivera e o arrependimento presente.

— Sei que sou apenas uma medíocre, uma integrante que, no fim, não pôde avançar junto com todos. Mas o único ideograma gravado em meu coração é “sinceridade” — só este, só este é minha verdade.

— Ah, que lamentável... Eu queria tanto lutar ao lado de todos até o fim...

Nesse instante, Gongsun Xin acordou abruptamente, tomado por uma tristeza persistente. Permaneceu deitado, tentando acalmar-se, e quando pensava em voltar a dormir, ouviu:

— Bom dia~Master~MiKon~

Diante de si, viu o rosto perfeito de uma jovem, cabelos cor-de-pêssego caindo sobre o peito, uma mão apoiando a cabeça, e as adoráveis orelhas de raposa tremendo delicadamente.

— Por que está dormindo aqui?

Após breve hesitação, Gongsun Xin sentou-se e questionou Tamamo-no-Mae, que fez uma expressão tímida, contorcendo o corpo.

— Ora, para servir ao Master, em todos os sentidos~

Gongsun Xin suspirou, apoiando a mão na testa. Para qualquer um, isso seria uma dádiva extraordinária, mas sua reação era de resistência. Tamamo-no-Mae, ao perceber, voltou a rir furtivamente.

— Master, teve bons sonhos, não?

Ao ouvir isso, Gongsun Xin voltou a si, recolhendo a cama enquanto respondia:

— Acho que sonhei com as memórias de alguém, mas não consigo me lembrar. Se pudesse recordar, saberia de quem são — talvez, da base espiritual dessa pessoa.

Tamamo-no-Mae não esperava tal revelação, mas, sem pistas, apenas aconselhou:

— Já que a base espiritual está ligada à esgrima, Master, por que não leva a espada e vamos lutar?

— Hein?

— Quem sabe, no combate, encontre a sensação, como quando duelou com o Mestre Lin.

Gongsun Xin ponderou, concordando com Tamamo-no-Mae; contudo, ao pensar em sua habilidade medíocre frente à força de Tamamo-no-Mae, hesitou.

— Master, confie! Com a pequena Tamamo ao seu lado, nada vai lhe acontecer! MiKon~

Gongsun Xin, convencido pelas palavras de Tamamo-no-Mae, decidiu confiar nela. Afinal, naquele mundo, o poder era soberano, e Tamamo-no-Mae era uma yōkai famosa na história. Nove de força? Se não puder vencer, ao menos pode fugir, não?

Com isso em mente, Gongsun Xin tomou a espada e, junto de Tamamo-no-Mae, dirigiu-se ao Salão de Provação.

Lá, Gongsun Xin era mais notado do que nunca — tanto pelo desempenho no ritual de contrato quanto pela presença de Tamamo-no-Mae. O salão encheu-se de murmúrios.

Habituado, Gongsun Xin conduziu Tamamo-no-Mae até o balcão de atendimento. Li Xue, ao ver Tamamo-no-Mae, não pôde evitar um olhar prolongado — não só pela peculiaridade de sua presença como objeto de contrato, mas também por sua beleza estonteante e figura adorável, difícil de ignorar.

— Hum-hum.

Gongsun Xin tossiu levemente; Li Xue, retornando ao momento, olhou-o com certo constrangimento.

— Irmã Li, há alguma missão de caça aos espíritos? Que seja simples, bem simples.

Li Xue lançou-lhe um olhar impaciente, folheando o registro de missões. Tamamo-no-Mae olhava de um para outro, e então Li Xue ergueu a cabeça:

— Serpente Dupla, nível humano — que tal?

— É venenosa, não.

— Tigre de Chamas, nível humano.

— Muito agressivo, não.

— Lobo de Vento, nível humano.

— Vive em grupo, são muitos, não.

— Urso Terrestre, nível humano.

— Não.

— ...

Li Xue olhou Gongsun Xin, furiosa, pensando: “Veio só para criar problemas?” Gongsun Xin ignorou-a, inclinando-se para ver o registro; Tamamo-no-Mae já não sabia o que pensar.

— Este aqui, então: Javali Espinhoso, nível humano!

— ?

Li Xue olhou Gongsun Xin como se fosse um tolo; Gongsun Xin não lhe deu atenção, puxou Tamamo-no-Mae e saiu correndo, deixando apenas “já volto” antes de desaparecer.

Deixando o Salão de Provação, Gongsun Xin desceu a montanha, saindo dos portões de Yunhe Pavilion. As missões ali geralmente eram solicitações de discípulos internos, que precisavam de materiais mas não queriam agir por conta própria. Por serem publicadas no exterior, não costumavam ser difíceis. Às vezes, discípulos internos, ao patrulhar vilarejos ou cidades próximas, encontravam espíritos perigosos para pessoas comuns, e então o templo lançava missões de caça, destinadas aos discípulos menos experientes.

A missão de caçar o Javali Espinhoso era desse tipo. Gongsun Xin, seguindo as instruções, levou meio dia para encontrá-lo, mas ao ver o animal, com três ou quatro metros de altura, ficou pensativo.

— Isso... Por que é tão grande? É mesmo nível humano?

Na sua primeira caçada de espíritos, Gongsun Xin já encontrara um obstáculo formidável.