Capítulo Quatro Familiarizando-se com o Terreno (Parte II)

Perang Mata-mata di Pulau Terpencil Bisa besar, bisa kecil. 2939kata 2026-03-14 14:37:24

Nesses últimos dias, Hu Xiaomin percorreu ao norte até Caojiadu, junto ao rio Wusong, e a Universidade Daxia; a oeste, chegou à Estação Oeste de Xangai; ao sul, foi até Xujiahui; e a leste, alcançou o rio Huangpu. Assim, familiarizou-se com todo o terreno das concessões pública e francesa, bem como dos arredores ocidentais da cidade.

Contudo, nas imediações do número 76 da Rua Jessfield, deu apenas uma volta. Não era que lhe faltasse interesse, mas sim porque havia espiões demais rondando. O número 76 era extremamente vigilante: qualquer estranho que aparecesse mais de uma vez logo seria seguido.

Quanto a infiltrar-se no interior do número 76, Hu Xiaomin já abandonara tal ideia. A premissa para coletar informações era garantir sua própria segurança absoluta. Para conhecer a fundo os arredores do Oeste de Xangai, frequentemente tomava riquixás ou táxis; por vezes, disfarçava-se até de mendigo.

Não gostava de agir sem preparação. Ainda que, antes de vir para Xangai, já houvesse estudado minuciosamente os mapas da cidade, sabia que entre o papel e o terreno real havia enorme diferença. Para Hu Xiaomin, quanto mais bem preparado estivesse, maiores seriam as chances de êxito; o inverso também era verdadeiro.

A carteira de Cao Bingsheng e a pistola Browning que apanhara não foram entregues às autoridades; também não era costume do Departamento de Inteligência Militar exigir a entrega de todo butim. Mesmo que Qian Heting viesse a saber depois, não haveria de cobrar-lhe explicações.

Desde sua chegada a Xangai, Hu Xiaomin, salvo o salário que recebia, mal dispunha de fundos para suas atividades. Cada centavo precisava ter aplicação precisa. Na carteira, havia pouco mais de cinquenta iuanes; além de garantir suas despesas ordinárias, preparara para si dois esconderijos seguros.

Um localizava-se no número 7 do bairro Yannan, no extremo leste da Rua Jing'an, próximo à Rua Haige, dentro da concessão pública. Não distante da Rua Yuyuan, tornou-se sua base de operações para as investigações locais. Todos os itens de disfarce estavam ali guardados. O outro esconderijo, próximo ao rio Suzhou, servia como base de contingência.

Depois de tantos arranjos, Hu Xiaomin estava, basicamente, na miséria.

Quanto à pistola Browning modelo 1910 de Cao Bingsheng, Hu Xiaomin comprou uma lima numa loja de ferragens e apagou o número de série. Assim, a arma mudava de dono.

Na concessão francesa, todos os policiais—chineses, anamitas, franceses ou fluviais—usavam armas Browning fabricadas na Bélgica. Os policiais chineses e anamitas, em geral, portavam o modelo M1903, calibre 9mm. Já os informantes e policiais franceses usavam as Browning M1900 e M1910, calibre 7,65mm, vulgarmente conhecidas como "pistolas de licença".

Para um agente secreto, quanto mais armas, melhor. Especialmente para ele, pois às vezes portar uma arma oficial do Departamento de Inteligência Militar não era conveniente. Ademais, as pistolas Browning eram valiosíssimas no mercado negro, quase uma moeda de câmbio.

Além das imediações da Rua Jessfield, o número 5 do beco 433 da Rua Yuyuan era outro alvo importante para Hu Xiaomin. Tratava-se da residência da família Gu. A Rua Yuyuan era repleta de vilas e mansões, cada qual com seus criados, e raros contatos entre os vizinhos; por isso, a circulação de estranhos não chamava tanto a atenção.

Gu Huiying saía pontualmente às sete e meia da manhã. Geralmente, pegava carona com Gu Zhiren e descia na casa de hóspedes do número 55 da Rua Jessfield. Dizia a todos que trabalhava ali. Depois de levá-la, Gu Zhiren seguia para a Fábrica de Tecidos Zhihua, no número 2 do beco 122 da Rua Hartung.

No retorno, alguém frequentemente a levava de carro para casa; às vezes, só voltava depois do jantar. Uma vez em casa, raramente saía novamente.

Após três dias de observação, em dois deles quem a trouxera de volta fora Chen Mingchu. Isso inquietava Hu Xiaomin: não haveria entre Gu Huiying e Chen Mingchu alguma relação especial?

Embora Hu Xiaomin e Gu Huiying estivessem prometidos desde a infância, isso não passava de uma brincadeira entre seus pais; podia ou não ser levado a sério.

Os documentos fornecidos por Qian Heting diziam que Gu Huiying ainda não se casara, mas nada diziam sobre ela ter ou não alguém em seu coração. Afinal, Gu Huiying, tendo caído em desgraça, poderia muito bem, em busca de ascensão, casar-se até com um colaborador.

Se assim fosse, seria preciso ajustar o plano de infiltração.

Agora Hu Xiaomin percebia: Qian Heting, provavelmente ao consultar seus arquivos, elaborara esse plano num ímpeto, deixando a ele o encargo de aperfeiçoá-lo. Ou seja, o plano era cheio de lacunas, cabendo-lhe remendá-las.

Quanto a recursos e apoio de pessoal, provavelmente não contaria com nenhum. Talvez nem mesmo as altas esferas dessem importância ao plano.

Se o plano de infiltração teria êxito ou não, pouco importava a Hu Xiaomin; seu maior desejo era que seu dossiê fosse classificado como confidencial, e, se possível, enviado para custódia em Chongqing.

Preocupações à parte, o plano já estava em marcha; restava executá-lo até o fim. Por mais rudimentar que fosse, e independentemente do interesse dos superiores, Hu Xiaomin devia garantir seu sucesso.

Para conhecer os verdadeiros sentimentos de Gu Huiying, Hu Xiaomin decidiu lançar mão de outros métodos. Passou a observá-la na saída do trabalho, tanto diante da casa de hóspedes da Rua Jessfield quanto em frente ao beco 433 da Rua Yuyuan, atento a qualquer expressão.

Do relacionamento entre Gu Huiying e Chen Mingchu, talvez pudesse depreender algo de seus olhares e gestos. Hu Xiaomin, alheio ao amor, sabia apenas que, se alguém se sentia feliz, por mais que tentasse dissimular, sempre deixava escapar sinais.

Gu Huiying mantinha o rosto quase inexpressivo; apenas ao entrar ou sair do carro esboçava um sorriso educado. Mesmo à distância, Hu Xiaomin quedava extasiado: adulta, Gu Huiying era de uma beleza inigualável, cada gesto ou sorriso era pura perfeição.

Hu Xiaomin, sempre atento, notou também que Gu Huiying e Chen Mingchu não tinham qualquer contato físico; ela, inclusive, mantinha deliberadamente certa distância. Ao desembarcar, nunca olhava para trás.

Esses detalhes deram-lhe algum alívio.

Para ser aceito na casa dos Gu, Gu Huiying não poderia ter um pretendente. Quanto a desposá-la, Hu Xiaomin refletira longamente: se pudesse evitar, melhor seria. Era comunista; Gu Huiying, sem falar do passado na Central de Inteligência, agora estava comprometida com os colaboracionistas.

Ademais, Hu Xiaomin mantinha uma identidade superficial no Departamento de Inteligência Militar, e entre este e a Central de Inteligência sempre houve rivalidade. E mesmo que desejasse desposá-la, talvez o departamento não consentisse.

Sem recursos para o plano, Hu Xiaomin só poderia apresentar-se como um desafortunado em busca de abrigo, esperando apenas não ser recebido com desdém. Estava certo de que a família Gu tampouco aprovaria tal casamento.

Havia dois criados na casa dos Gu: Liu Afu e Liu Ma. Embora seus nomes parecessem de um casal, não o eram. Liu Afu servia à família havia mais de dez anos; Liu Ma, apenas três meses. Ele cuidava do jardim e da portaria, raramente saía; ela, da cozinha e da limpeza, saía de manhã para comprar mantimentos ou, por vezes, acompanhava a senhora Wang Shuzhen ao centro.

Wang Shuzhen dividia seus dias entre partidas de mahjong, idas ao cabeleireiro e compras, levando uma vida de extremo conforto.

Se não se conhecesse a verdadeira identidade de Gu Huiying, dir-se-ia tratar-se de uma típica família abastada.

O pai de Gu Huiying geria a Fábrica de Tecidos Zhihua, saía cedo e regressava à noite. Hu Xiaomin também investigou os arredores da fábrica: atrás, ficavam os dormitórios e o setor industrial; à frente, um escritório comercial dedicado ao atacado.

Disfarçado, Hu Xiaomin foi até o escritório para colher informações. Ao entrar, o atendente, mesmo vendo-o vestido modestamente, cumprimentou-o com cortesia.

Um funcionário de trinta e poucos anos, respeitoso, dirigiu-se a ele:

— O senhor procura algum tipo de mercadoria? Temos tecidos de variados tipos—flanela, valletine, gabardine, vadine—além de toalhas, camisetas, coletes e roupas íntimas. A Fábrica Zhihua fia e tece, oferecendo ampla variedade, com qualidade e preço excelentes.

Hu Xiaomin notou não só a postura cortês do funcionário, mas também sua compostura—pés afastados cerca de dez centímetros, tronco ereto, mãos cruzadas à frente do abdômen, sorriso no rosto—tratando cada cliente como se fosse uma nota de dinheiro. Era, sem dúvida, alguém bem treinado.

— Vocês têm bastante variedade. E quanto aos preços? — perguntou Hu Xiaomin.

— Os melhores da região, sem dúvida. Nossa fábrica fica logo atrás, se quiser, pode conferir pessoalmente — respondeu o funcionário, ainda sorrindo.

Hu Xiaomin balançou a cabeça e saiu sem comprar nada; mesmo assim, o funcionário não demonstrou qualquer desagrado.

À noite, após despir-se do disfarce no número 7 do bairro Yannan, Hu Xiaomin dava uma volta até a Associação dos Conterrâneos de Ningbo em Xangai, no número 480 da Rua Xizang. Era ali que se hospedava nesses dias. Para viver na casa dos Gu, precisava de um histórico de vida convincente, o mais próximo possível da verdade.

Gu Zhiren e Wang Shuzhen seriam facilmente ludibriados, mas Gu Huiying era uma agente de verdade. E havia ainda Chen Mingchu, cujas intenções eram evidentes até para um tolo.

Após mais de uma década sem contato com os Gu, será que ainda reconheceriam o antigo compromisso? Caso sim, poderia Hu Xiaomin de fato conviver com Gu Huiying? E se não reconhecessem, o que faria?

Diante de tudo o que sabia, Hu Xiaomin julgava improvável uma convivência conjugal com Gu Huiying. Ainda assim, havia meios de ser aceito na casa: bastava despertar em Gu Zhiren um sentimento de compaixão.

ps: Novo livro lançado. Peço recomendações e que o adicionem aos favoritos.