Capítulo 4: Quero vê-lo

Aku Menjadi Penguasa di Lingkaran Konglomerat Aku menghendaki harta. 2653kata 2026-03-13 14:44:51

        Shi Ran estava sentada no sofá, folheando um livro que pegara na biblioteca, sobre negócios e o universo mercantil. Em sua vida anterior, apenas após a morte do avô conquistara seu reconhecimento, mas nunca havia realmente se envolvido nos assuntos da empresa, por isso procurava agora aprender através dessas leituras. O volume que escolhera era justamente uma das leituras indispensáveis para quem desejava adentrar o mundo dos negócios.

        — Shi Ran, venha ver, papai publicou um livro! — exclamou seu pai, aproximando-se radiante com um exemplar nas mãos.

        Ele, embora fosse o primogênito da família Shi, jamais demonstrara interesse pela empresa; sua verdadeira paixão era a escrita, e ocupava-se em criar histórias no escritório sempre que podia. Quando Shi Ran tinha apenas treze anos, seu pai falecera em decorrência de uma cirurgia malsucedida.

        — Uau! — Shi Ran deixou escapar uma exclamação infantil, erguendo os delicados bracinhos num gesto de júbilo.

        — Nossa Shi Ran é mesmo adorável — disse o pai, acariciando-lhe a cabeça com um sorriso enternecido.

        Ele a tomou nos braços, acomodou-a no colo e, abrindo o livro, começou a mostrá-lo para ela.

        Shi Ran pensava que, como em sua vida anterior, seria mais um daqueles livros de contos de fadas, mas ao ver o conteúdo, seus olhos arregalaram-se de surpresa; piscou várias vezes, incapaz de articular qualquer palavra.

        — Veja, todos esses desenhos foram feitos por mim, todos criados e pensados pelo papai — explicou ele com carinho, folheando cuidadosamente as páginas.

        Na primeira página lia-se: “Modelos de vestidos para as festas de aniversário de Shi Ran em cada ano de sua infância”.

        Essas palavras caíram sobre o coração de Shi Ran como um martelo, pesadas e profundas.

        O pai apontava para os desenhos: todos eram vestidos, cada um desenhado com esmero, com detalhes minuciosos, combinações de cores harmoniosas e um requinte encantador.

        — Nestes dez anos, papai não pôde estar ao seu lado, não presenciou o seu nascimento, nem comemorou um aniversário sequer contigo. Papai sente muito. Embora, nos próximos aniversários, você não tenha mais a companhia da mamãe, terá a do papai. De agora em diante, papai estará contigo em cada aniversário, até que complete dezoito anos — disse ele, depositando um beijo na testa de Shi Ran.

        Seus olhos imediatamente marejaram.

        Ela sempre soubera, em sua existência anterior, que o pai a amava, mas jamais imaginara tamanho cuidado e dedicação.

        — Quando era pequena, Shi Ran sofria de desnutrição e era mais baixa que as outras crianças da sua idade, por isso desenhei roupas especialmente delicadas e graciosas para você — continuou o pai, folheando até a última página, onde havia um vestido de princesa em verde-escuro. — Nossa pequena princesa há de ser a mais amada de todas. O vestido dos dezoito anos será verde, da cor dos seus olhos, belo, o mais belo de todos.

        Ao lado de cada traje, havia uma explicação detalhada: sobre as pequenas flores, sobre as listras, cada detalhe minuciosamente justificado.

        Shi Ran mordeu os lábios, lutando para conter as lágrimas que ameaçavam cair.

        — Este livro é exclusivo para Shi Ran. Gostou? — perguntou o pai.

        — Sim — respondeu ela, assentindo, depois, virando-se, deitou-se sobre o ombro do pai e o abraçou com força. — Papai desenhou tudo sozinho?

        — Sim, embora talvez não estejam tão bonitos...

        — Não, estão lindos. Shi Ran gostou muito.

        O pai sorriu, radiante.

        — Papai, vamos ao médico? — disse ela de repente.

        — O quê?

        — Preciso trocar o curativo da perna — explicou Shi Ran.

        — Então vou ligar para o médico da família vir até aqui.

        — Não — Shi Ran, ainda apoiada no ombro do pai, manhosamente insistiu: — Quero ir ao hospital trocar o curativo, quero que papai vá comigo, pode ser?

        — Está bem — ele afagou-lhe os cabelos, sorrindo. — Achei que você não gostasse de ir ao hospital.

        Não gostava!

        Detestava!

        Pois fora no hospital que perdera a mãe.

        E depois, também ali, perderia o pai.

        Odeia hospitais, detesta o cheiro de antisséptico.

        Mas, renascida, ainda havia tempo de reparar, de mudar o destino que, três anos mais tarde, culminaria na morte do pai.

        O pai levou Shi Ran até o hospital, o maior do país, com a melhor equipe médica. O médico da família Shi era, inclusive, vice-diretor deste hospital.

        — Justamente estava pensando que logo seria hora de trocar o curativo da senhorita, e eis que recebo a ligação dizendo que viriam pessoalmente — comentou o médico, enquanto a enfermeira já se aproximava com o material.

        Shi Ran olhou para a jovem médica, sorrindo: — A senhorita é tão bonita!

        Lisonjeada, a médica retribuiu o sorriso.

        — Que boquinha doce a da pequena princesa!

        — Qual é o seu nome, moça bonita? — perguntou Shi Ran.

        — Lin Yufei.

        — Eu me chamo Shi Ran.

        — Que nome lindo o seu.

        Quando a médica preparava-se para lhe trocar o curativo, Shi Ran perguntou ao médico:

        — Tio, posso pedir para a bela Lin Yufei me atender?

        — Claro que pode — respondeu o médico, entregando o material a Lin Yufei.

        Ela procedeu com extrema delicadeza, cuidando para não machucar Shi Ran e, ao mesmo tempo, distraía-a com uma conversa suave.

        — Shi Ran é mesmo uma graça. Quantos anos tem?

        — Dez.

        — Tão adorável! Uma verdadeira princesinha.

        Shi Ran respondia como se fosse uma conversa qualquer e, enquanto trocavam o curativo, não chorou nem fez birra.

        — A senhorita também é muito bonita, parece uma princesa, tão formosa quanto a mamãe era — comentou Shi Ran.

        Por um instante, o sorriso do pai congelou no rosto.

        Após terminarem, Shi Ran segurou firme a mão de Lin Yufei, sem intenção de soltá-la.

        — O que foi? — perguntou o pai, paciente. — Ela pode ser tão bonita quanto a mamãe, mas não é sua mãe. A doutora precisa trabalhar, há muitas outras crianças, como você, esperando para serem atendidas. Vamos para casa, no próximo curativo vocês se verão de novo, está bem?

        Shi Ran assentiu e disse:

        — Papai, só quero ir ao banheiro e gostaria que a moça bonita me acompanhasse, pode ser?

        O pai suspirou aliviado.

        Lin Yufei, satisfeita, segurou a mão de Shi Ran e sorriu:

        — Vamos, eu levo você.

        Shi Ran desceu do colo do pai, caminhando para fora, e avisou, cheia de travessura:

        — Papai, espere aqui, não se preocupe, já volto!

        O médico sorriu para o pai:

        — Sua filha é realmente encantadora, senhor.

        O pai suspirou fundo:

        — Por isso sinto que lhe devo tanto. Se ao menos tivesse sido mais firme no passado, se tivesse insistido em me casar com sua mãe, ela não teria passado dez anos longe de casa, e minha filha, em vez de parecer uma menina de sete anos, teria a compleição de uma criança de dez.

        — Ninguém pode culpá-lo. Com um pai como o seu, quem teria feito diferente?

        No caminho para o banheiro, os corredores do hospital estavam adornados com retratos e breves biografias dos médicos mais renomados da instituição.

        Os olhos de Shi Ran percorriam atentamente as imagens, como se buscasse alguém.

        De repente, ao encontrar o nome que procurava, parou, apertando a mão de Lin Yufei, que também se deteve.

        — O que foi? — indagou Lin Yufei.

        — Quem é esse moço bonito? — perguntou Shi Ran, embora o homem da foto aparentasse já ter mais de trinta anos.

        — É o nosso melhor cirurgião cardíaco.

        — Acho que gostei dele. Posso conhecê-lo? Prometo que não vou atrapalhar o trabalho dele.

        Lin Yufei hesitou, sem saber como responder.

        Shi Ran balançou a mão dela, insistindo com doçura:

        — Por favor, moça bonita, me leve até ele? Juro que não vou incomodar, pode ser?

        — Tem certeza de que não vai atrapalhar?

        — Absoluta.

        — Então podemos passar lá, mas só por um instante, depois voltamos depressa.

        — Obrigada, moça bonita!

        Shi Ran sorria, mas seus olhos permaneciam vazios, sem um traço de alegria. Era apenas a expressão de uma criança encantadora, cujo sorriso tornava-a ainda mais irresistível.

        [Papai, eu certamente serei capaz de mudar tudo.]