Capítulo 2 — A Luta Começou

Aku Menjadi Penguasa di Lingkaran Konglomerat Aku menghendaki harta. 2543kata 2026-03-11 14:50:32

Shi Ran realizou seu desejo de morar na casa da família Shi. Ao recordar os acontecimentos de sua vida passada, ela se deteve diante do espelho, fitando aquele pequeno corpo infantil, como se tudo não passasse de um sonho.

De fato, ela havia renascido dez anos no passado.

Lembrava-se de que seu pai falecera quando ela tinha treze anos e o avô partira quando completara vinte. Não se passara nem um ano da morte do avô, e já toda a fortuna do homem mais rico de Nanhu fora desperdiçada pelo herdeiro pródigo.

Desta vez, tendo renascido, ela estava determinada a mudar aquele destino.

Mas, sendo apenas uma criança, como poderia fazer o avô enxergar o seu valor?

Dirigiu-se à biblioteca da família Shi. O bibliotecário, ao vê-la, demonstrou surpresa.

— Quem é você?

— Vovô bibliotecário, eu sou Shi Ran. Meu pai é Shi Chuan, acabei de chegar com ele.

— Filha do segundo jovem amo?

Shi Ran assentiu com docilidade.

— Shi Ran, o que faz aqui? — A voz do avô soou atrás dela; ao se virar, ele já estava diante de si. — Perdeu-se?

— Não, vovô — respondeu Shi Ran, arregalando os olhos e balançando a cabeça.

— Hum?

— Vovô, vim pegar um livro emprestado.

Antes mesmo que dissesse qual livro queria, o avô ordenou:

— Traga todos os livros de contos de fadas.

— Não, vovô — Shi Ran agarrou o dedo do avô, ergueu o queixo para fitá-lo e abriu os lábios infantis com ternura: — “Influência: Por que você diz ‘sim’?” Vovô, quero este livro.

O avô e o bibliotecário ficaram igualmente atônitos.

Afinal, aquele não era um livro para uma criança de dez anos.

O avô, então, ergueu Shi Ran devagar em seus braços.

— Como você conhece esse livro?

— Quando pequena, acompanhava minha mãe lendo; nunca gostei de contos de fadas, só me interessavam livros assim. A biblioteca do vovô é tão, tão grande… certamente deve ter este livro, não tem?

Shi Ran sabia que aquele era o livro favorito do avô; por isso, logo após renascer, viera procurá-lo.

Jamais pensara que, ao fazer isso, encontraria o avô.

— Vá buscar o livro — ordenou o avô.

O bibliotecário, obediente, foi buscá-lo.

Shi Ran sorriu e beijou a face do avô.

Funcionava sempre.

— Vovô é o melhor. Shi Ran gosta mais do vovô do que de qualquer um.

Agarrou-se ao pescoço do avô, deitando-se sobre seu ombro e se aninhando em seus braços.

Palavras assim, nunca ousara pronunciar na vida passada.

O bibliotecário trouxe o livro pedido, um volume espesso, que Shi Ran mal conseguia segurar nos braços ao recebê-lo.

— Vovô, posso levar o livro para ler no quarto?

— Naturalmente.

O avô respondeu com gentileza, bem diferente daquele velho sempre sisudo e de semblante fechado.

Depois de ser posta no chão, Shi Ran saiu da biblioteca com o livro.

O avô observou sua figura se afastando e suspirou.

— Bastarda!

No caminho de volta ao quarto, do fim do corredor veio uma voz infantil, mas carregada de escárnio.

Diante dela surgiram Shi Yan e Shi Guang, os dois filhos do tio.

— Ha!

Shi Ran soltou um riso frio.

Apesar do rosto ainda juvenil, ambos já exibiam sinais de malícia. Por ser o primogênito, Shi Yan sempre fora o típico dândi.

Recordou o olhar altivo com que ele a fitara ao tomar posse da herança, e sentiu repulsa.

Mas, agora, diante dela, era apenas um garoto de doze anos.

— Essa bastarda imunda está rindo.

Shi Ran cerrou os dentes, detestando ser chamada de bastarda.

Sua mãe era apenas uma mulher comum, mas ela não era bastarda.

— Mano, a bastarda parece que ficou brava — disse Shi Guang, rindo ao lado do irmão.

— E se ficou, o que vai fazer? — replicou Shi Yan.

— Hahaha… Vai chorar, aposto. Será que também vai mijar nas calças?

Enquanto se aproximava dos dois, Shi Ran ouvia as zombarias, um a um.

Na vida passada, ao chegar àquela casa, Shi Ran tinha medo deles, pois sempre a humilhavam.

Mas agora, renascida, tudo era diferente.

— Irmãos, sabem por que eu voltei? — perguntou Shi Ran, serenando o rosto.

— Como assim? — indagou Shi Yan.

No rosto de Shi Ran surgiu um sorriso que não deveria pertencer a uma criança.

— Voltei para tomar toda a fortuna da família Shi, pois vocês dois não passam de inúteis, barro que não gruda na parede, e passarão esta vida inteira sob meus pés.

Passou altiva por entre os dois.

— Ah!

Antes que pudesse atravessar, Shi Yan agarrou-lhe os cabelos e a empurrou com força.

Naquele instante, tudo se assemelhou ao momento em que ele a lançara da escada.

Um súbito pânico tomou-lhe o peito.

Shi Ran caiu ao chão, a saia nova de princesa rasgou-se, e o joelho latejou de dor.

Ao olhar, viu que na mão de Shi Yan havia alguns de seus fios de cabelo.

— Muito bem, irmão.

Shi Guang bateu palmas, satisfeito.

Na vida passada, os dois irmãos a maltratavam exatamente assim.

Shi Yan, do alto de sua arrogância, zombou:

— Pensa que só por se chamar Shi é da família Shi? Sempre será uma bastarda. A herança será minha, sou o primogênito. A família Shi só terá continuidade em minhas mãos.

Shi Ran cerrou os punhos, baixou a cabeça, e, entre dentes, exclamou:

— Não me chame de bastarda.

— É o que você é. Sempre será.

Enfurecida, Shi Ran ergueu o pé e desferiu um chute contra o joelho de Shi Yan.

Embora não fosse forte, o golpe bastou para que Shi Yan caísse sentado no chão.

— Ah! Ah!

Shi Yan gritou de dor.

Shi Ran, ágil, apanhou o livro caído no chão, ajoelhou-se ao lado dele e, com força, bateu-lhe com o pesado volume.

Pequena e franzina, não tinha muita força, mas o livro era pesado e os golpes fizeram Shi Yan berrar ainda mais alto.

Shi Guang se preparava para intervir, mas o olhar cortante de Shi Ran o deteve; por alguma razão, ficou paralisado, sem mover um músculo.

Viu o irmão apanhar sem nada poder fazer.

— Eu disse para não me chamar de bastarda. Você, sim, é o herdeiro pródigo — vociferou Shi Ran. — Se a família Shi cair em suas mãos, mais dia, menos dia, tudo será destruído.

— Está maluca? — Shi Yan protegeu o rosto com o braço, mas continuou insultando: — Uma bastarda como você ousa bater no irmão mais velho?

— Eu disse para não me chamar de bastarda. Eu não sou… eu não sou…

A voz de Shi Ran cresceu, e os golpes com o livro tornaram-se mais intensos.

— Socorro! Socorro! — gritou Shi Yan, deitado no chão, cessando os insultos e passando a pedir ajuda. Gritava tão alto que parecia querer ensurdecer a todos.

Nesse momento, a porta da biblioteca se abriu.

— Que confusão é essa? — O avô saiu da biblioteca, o semblante carregado, fitando os dois netos em briga.

— Shi Ran?

A voz do pai soou atrás, e ele correu até ela, ansioso.

Só então Shi Ran soltou Shi Yan, recuou dois passos e foi envolvida pelos braços do pai.

Viu o tio se aproximar e ajudar Shi Yan a se levantar.

— O que está acontecendo aqui? — bradou o avô, furioso.

As lágrimas de Shi Yan correram como uma torneira aberta, desabando de uma vez.