Capítulo 6: Du Le, o Amigo Pobre
Sem dinheiro para comprar um Núcleo Espacial, Bai Qianchun só pôde preparar uma mala por conta própria e guardar seus pertences ali dentro.
Durante este breve ano de estadia, devido à sua pobreza, ela não adquiriu muitos bens: algumas roupas baratas, um pouco de solução nutritiva ainda por consumir e uma variedade de sementes. Tudo isso, após acomodado na mala, ocupava apenas metade do espaço.
Bai Qianchun ponderou e decidiu comprimir, em sacos a vácuo, os cobertores e mantas de sua cama, encaixando-os na mala até preenchê-la por completo.
Quanto ao pequeno pomar em vasos na varanda, embora fossem os itens de maior valor, ela já havia recuperado suas habilidades especiais; poderia cultivá-los e consumi-los quando quisesse. Assim, levou apenas um vaso pequeno com uma raiz de jade plantada, deixando o restante para trás.
Sem grande esforço, exceto pelo que havia na varanda, Bai Qianchun apagou todos os vestígios de sua presença naquele apartamento. O bolo e os pratos de ontem, aquecidos, serviram-lhe como café da manhã; o que não conseguiu terminar, descartou com pesar.
Terminada a arrumação, deixou o apartamento onde vivera quase um ano, sem apego ou saudade.
— Ora, não é a irmã Bai? Vai viajar para longe, não é? — mal abriu a porta, deparou-se com a neta da senhora Wang, do apartamento em frente. Vestida de saia curta magenta e saltos altíssimos de cristal, exalava um charme provocante. Ao vê-la, aproximou-se sorrindo sedutoramente, esticando o pescoço para espiar dentro do apartamento, seus olhos de raposa delineados com traços exagerados brilhando de curiosidade.
Bai Qianchun, de máscara, deixou à mostra apenas seus olhos frios, que a observaram com indiferença. Franziu levemente as sobrancelhas e, num gesto rápido, fechou a porta com estrondo.
Wang Qiao'er estremeceu instintivamente, o sorriso se dissipando, e lançou um olhar furioso a Bai Qianchun.
— Hmph, cheia de si! Seu marido está há um ano sem voltar—talvez tenha te achado feia e não queira mais saber de você.
Os olhos de Bai Qianchun, negros como tinta, cintilaram com frieza, gélidos como os ventos do Ártico. Ela falou suavemente:
— Você sabe tão bem sobre meu marido... Está nos vigiando, nos espionando ou quer ser a amante? Não me importo se quiser tentar.
Wang Qiao'er, mesmo sendo mais alta, sentiu-se esmagada pela presença de Bai Qianchun, incapaz de erguer a cabeça; seu corpo até tremeu de medo.
Instantaneamente, Wang Qiao'er murchou como um balão furado, desviando o olhar com insegurança.
— Eu... eu não, eu só estava preocupada com a vizinha, não pense demais. Eu estou indo para um encontro, adeus.
Disse, tropeçando apressada e quase torcendo o tornozelo.
Bai Qianchun acompanhou com o olhar, e sob a máscara, os lábios desenharam um leve sorriso.
— Palmas, palmas! — Uma animada salva de palmas ressoou atrás dela. Bai Qianchun voltou-se: no corredor amplo, um jovem de traços delicados estava ali, vestindo uma camisa listrada azul simples e jeans curtos na perna direita. Ao seu lado, uma bolsa preta; os olhos brilhavam ao fitá-la.
Ao perceber o olhar de Bai Qianchun, o rapaz ruborizou, coçou a cabeça com certa timidez.
— É que... achei seu jeito tão impressionante que não consegui evitar...
— Hum — Bai Qianchun respondeu com indiferença, lançando-lhe um olhar antes de virar-se, arrastando a mala com a mão esquerda e segurando o vaso com a direita, partindo resoluta.
O jovem ficou perplexo, depois bateu na testa e apressou-se a segui-la.
— Espere, espere...
— Você vai para o Porto Estelar? Que tal dividirmos um carro? Assim economizamos metade da tarifa.
Bai Qianchun interrompeu os passos.
Ela lançou um olhar ao jovem, que chegou ofegante.
— Está bem.
O rapaz hesitou, depois sorriu com alegria, confirmando:
— Você concordou em dividir o carro?
Bai Qianchun assentiu.
— Sim.
A distância até o Porto Estelar era considerável; era imprescindível tomar um veículo voador, pois ônibus já não circulavam na era interestelar—apenas táxis voadores, e o preço não era módico.
Após comprar de manhã o bilhete para a Nave Estelar rumo ao planeta Muyuan, seu saldo de três dígitos caiu abruptamente em 666 moedas estelares, restando apenas 99—a cifra mais baixa de sua história. Dividir o carro era, portanto, uma escolha sensata.
Economizar era preciso.
O rosto do jovem iluminou-se, radiante:
— Excelente!
— Hehe, logo vi que somos do mesmo tipo: as roupas são todas de liquidação.
— Ah, a vida está difícil demais, os preços na estrela principal são exorbitantes, mal consigo comprar solução nutritiva. Depois de comprar o bilhete da nave, quase não sobrou moeda alguma. Pensei em pegar apenas metade do trajeto de táxi, mas agora, dividindo com você, posso ir direto ao Porto Estelar. Que sorte tive hoje...
Bai Qianchun ouviu seu falatório incansável, mas, educada, não o interrompeu, olhando-o com atenção e assentindo com empatia.
Sim, viver é penoso; pobres suspiram!
Por essa afinidade entre dois pobres, o caminho até o Porto Estelar transcorreu de modo bastante harmonioso. Quando o rapaz comentou que, pela pobreza, quase recorrera a mastigar lata, Bai Qianchun, impassível, também fez alguns comentários irônicos, sentindo-se ligeiramente superior: mesmo na pior fase, sempre pôde consumir solução nutritiva.
— Chegamos ao Porto Estelar, foi rápido — após cerca de quinze minutos, o jovem olhou pela janela e, em seguida, para Bai Qianchun, lamentando que a recém-descoberta camaradagem fosse se desfazer tão cedo.
Era a primeira vez que conversava tão bem com alguém.
— Hum, até uma próxima — Bai Qianchun também olhou para fora, olhos brilhando, e saltou agilmente do carro.
Era sua primeira visita ao Porto Estelar, por isso, cuidadosamente, ativou o modo de orientação para iniciantes em seu cérebro digital, evitando perder o bilhete por descuido.
O jovem fixou-se no perfil “frio e indiferente” de Bai Qianchun, sentindo-se tocado: a colega de infortúnio não parecia nem um pouco apegada a ele, TUT.
Não resignado, ele se aproximou de Bai Qianchun, esforçando-se para sorrir:
— Eu me chamo Du Le. Que tal trocarmos números de comunicação? Se tiver algum problema, pode me procurar. Sou pobre, mas tenho experiência com trabalhos e vida prática.
Bai Qianchun ergueu o olhar, seus olhos escuros reluzindo; o chefe sempre dizia: “Ao sair, confie nos amigos.” Aqui, na galáxia, ela realmente tinha poucos amigos e poderia precisar deles.
Assim, assentiu:
— Eu me chamo Bai Qianchun.
Trocados os contatos, Du Le ficou animado de novo—parece que a colega não o desprezou tanto assim.
Entrou correndo no Porto Estelar, exibindo um sorriso de dentes brancos, acenando para Bai Qianchun.
Ela, simbolicamente, levantou uma mão como um gato da sorte, e voltou a concentrar-se no cérebro digital, seguindo as instruções de iniciante e ingressando no Porto Estelar.
— Ding ding ding! —
Enquanto caminhava, admirando o esplendor grandioso do Porto Estelar, ouviu o som vindo do cérebro digital.
Bai Qianchun baixou os olhos e viu, reluzindo, o nome: “Feng Tangwei.”