Capítulo 3: Pílula da Vitalidade
Ao falar de Feng Tangwei, ela era o único imprevisto surgido neste casamento por acordo.
Feng Tangwei era filha do tio mais velho da família Feng, já heroicamente falecido—em outras palavras, era prima legítima de Feng Youyu.
Logo após a recente partida de Feng Youyu, Feng Tangwei, com sua astúcia, conseguiu localizar o apartamento onde Bai Qianchun morava. Subiu entusiasmada para bater à porta e, mesmo deparando-se com o rosto desfigurado de Bai Qianchun, não demonstrou qualquer estranheza.
Mesmo sendo tratada com frieza, a jovem Feng Tangwei persistia em sua mais sincera solicitude, encorajando Bai Qianchun a não se sentir inferiorizada, visitando-a frequentemente para lhe fazer companhia, tratando-a genuinamente como uma cunhada de sangue.
Por mais gelado e endurecido que fosse o coração de Bai Qianchun, não pôde deixar de ser tocada. Assim, Feng Tangwei tornou-se sua única amiga neste vasto universo interestelar.
Pelo menos, pesava muito mais em seu coração do que o próprio Feng Youyu, o marido de conveniência.
Portanto, mesmo sem poder revelar a Feng Tangwei que ela e seu primo não eram de fato marido e mulher, Bai Qianchun ainda sentia-se grata pela empolgação com que, no dia anterior, Tangwei viera lhe sugerir um jantar especial de aniversário, para celebrar uma noite a dois com Feng Youyu.
Se realmente fosse sua cunhada, com certeza teria grande apreço por essa jovem.
Mas não era; o tão almejado “mundo a dois” também desmoronara.
Bai Qianchun fitava o banquete à sua frente como se visse moedas aladas voando para longe, e uma pontada de dor lhe atravessava o peito.
Inspirou profundamente, pegou mais um pedaço de costela e pôs-se a comer, enquanto por dentro resmungava sobre a tolice de Feng Youyu, que fora enganado e levado para longe.
— Hic!
Decorridos mais de dez minutos, Bai Qianchun massageou o steady barriga e, erguendo as pálpebras, lançou um olhar à mesa, onde os pratos, já meio devorados, exalavam um aroma apetitoso. Para alguém que raramente desfrutava de iguarias tão requintadas, não era de todo um desperdício de tantas moedas estelares.
Apoiando-se sobre a mesa, ergueu-se e caminhou em direção à cozinha.
As paredes de porcelana branca reluziam limpas; panelas, tigelas e utensílios estavam em perfeita ordem.
Naturalmente, não fora Bai Qianchun quem comprara tudo aquilo. Em tempos normais, mal tinha recursos para ingerir os nutrientes mínimos necessários, alimentando-se quase somente de líquidos nutricionais; raramente cozinhava, quanto menos investir em utensílios para a cozinha.
Fora Feng Tangwei quem, ao longo do último ano, lhe providenciara tudo, pouco a pouco.
Agora, os utensílios e louças estavam organizados meticulosamente, sem um vestígio de poeira—exceto pela panela ainda fumegante, que exalava os últimos resquícios de vida doméstica.
Aproximou-se, desligou o fogo e levantou a tampa. No fundo da panela repousavam cinco pequenas esferas esverdeadas, do tamanho de contas de vidro, ainda emanando vapor.
Eram os elixires curativos que Bai Qianchun levara quase um ano inteiro para reunir os ingredientes e moldar—a Pílula do Vigor.
Tal pílula consolidava as bases do corpo, reconectava meridianos e nervos, despertava a vitalidade e reparava feridas internas. No mundo das artes marciais, era o mais cobiçado remédio de cura.
No caso do bloqueio e ruptura de meridianos que sofrera, bastariam três dessas pílulas, há um ano, para se recuperar completamente em uma semana.
Agora, após um ano de acupuntura e remédios, já havia curado grande parte de suas lesões; restava apenas uma pílula para restaurar-se por completo.
A expressão fria de Bai Qianchun suavizou, seus olhos brilharam. Retirou do bolso um frasco de porcelana previamente preparado, e, munida de hashis, dedicou-se com extremo cuidado, como se manuseasse pepitas de ouro, a transferir uma a uma as esferas verdejantes para o frasco.
Ao chegar à quinta, girou os hashis e levou a esfera diretamente à boca.
O comprimido dissolveu-se ao contato com a língua; uma onda refrescante escorreu pela garganta até o abdômen, seguida por um coar de calor que se espalhou pelos membros através dos meridianos. Seu corpo, antes árido e fatigado, parecia um solo ressecado irrigado de súbito, enchendo-a de uma energia revigorante.
Por onde passava esse fluxo, os meridianos atrofiados iam se reconectando, a vitalidade florescia, e os elementos de madeira que compunham seu corpo eram reanimados; o núcleo de poderes despertava.
Em seguida, o núcleo, há muito desidratado, reagiu como um faminto privado de alimento por séculos e, tomado de voracidade, começou a absorver freneticamente o elemento madeira disperso ao redor.
De repente, pontos de luz verdejante no ar se agitaram como bandos de pássaros assustados na floresta, convergindo de todas as direções, formando um ciclone suspenso.
No jardim do condomínio, árvores e arbustos balançavam sem vento, seus ramos sussurravam; a essência verde dentro deles era extraída pouco a pouco, como vaga-lumes alçando voo, dirigindo-se em ondas para uma janela no quinto andar.
No terraço, os vasos de plantas enlouqueceram, secando-se num piscar de olhos, oferecendo, jubilosos e devotos, sua energia vital; pontinhos luminosos de verde intenso formaram uma ponte até a cozinha, onde se lançaram, eufóricos, nos braços de Bai Qianchun.
O aposento encheu-se de miríades de pontos verdes, voando e dançando, envolvendo-a por todos os lados.
Bai Qianchun abriu os braços; seus cabelos negros ondulavam ao vento, um leve sorriso desenhou-se em seus lábios, os olhos semicerrados num semblante de deleite.
Aquela lassidão que a consumia desaparecera; sentia-se imersa numa floresta oxigenada, o corpo se expandindo de energia e prazer.
Se ali houvesse um medidor de poderes, detectaria que a energia de Bai Qianchun subia a uma velocidade inaudita: de nível E para D, de D para C, de C para B...
Só ao atingir o S essa escalada vertiginosa começou a abrandar.
Era previsível: tal velocidade de avanço jamais fora vista.
Ao final, seu nível de poder estabilizou-se em S+.
Eis sua primeira grande transformação após o renascimento—possuía agora habilidades formidáveis; não mais se veria confinada àquele pequeno apartamento, podendo enfim transitar livremente pelo universo estelar.
A noite, como um manto negro, estendia-se, pontilhada de estrelas cristalinas, brilhando intensamente.
Ouro, Água, Fogo, Terra e Luz—os planetas de fonte irradiavam sua luz prateada, e, ao longe, um planeta de Fonte Escura insinuava-se timidamente, substituindo a lua e derramando claridade sobre a estrela-mãe.
Era o planeta de origem da humanidade, o mais grandioso de todos, três vezes maior que os outros.
Porém, entre as sete estrelas de origem, faltava uma: a Fonte da Madeira.
No condomínio Zijing.
Noite, sete horas, horário interestelar.
Ainda não era hora de dormir; casais passeavam de mãos dadas pelas trilhas de pedra, conversando e digerindo o jantar.
De súbito, ouviu-se a exclamação de um casal:
— Ué—o que aconteceu? Por que as folhas desta fileira de árvores amarelaram de repente?
Logo, outros transeuntes reagiram:
— Pois é, e as flores do canteiro murcharam assim que o vento soprou!
— Aqui também, as folhas dos arbustos secaram num instante, e ao menor vento viraram galhos nus—mais rápido que a mudança de humor da minha namorada!
Havia ainda quem prontamente deduziu:
— Já sei, foi algum usuário de poderes de madeira que subiu de nível e absorveu o elemento madeira. Agora, sem o regente da Fonte da Madeira, e sem o planeta para prover esse elemento, todo o sistema estelar está carente dele. Ao evoluir, esse usuário sugou a energia das plantas, pois o ar já não bastava.