Capítulo Sete: An Xueqing — Primeira Parte
Peço recomendações, cliques e que me adicionem aos favoritos. Por favor, apoiem-me, pois desejo ascender ao ranking dos novos autores!
2 de junho de 2012, o quinto dia após o surto de zumbis.
Esta foi a primeira informação que Qin Luo obteve dos lábios da jovem, cujo nome era An Xueqing.
Pela boca de An Xueqing, soube que a situação da humanidade encontrava-se em extremo perigo. Nos dois primeiros dias da crise, ainda existiam transmissões do governo, orientando todos os cidadãos a permanecerem em casa e aguardarem o resgate; contudo, desde o terceiro dia, quando toda a cidade mergulhou na escuridão do apagão, jamais se ouviu novamente qualquer anúncio oficial.
Agora, os poucos humanos sobreviventes não apenas enfrentavam hordas de zumbis que, nas cidades, já somavam milhões, como também deviam precaver-se constantemente contra as feras mutantes, bioconstruídas a partir de toda sorte de animais. E, além dos zumbis e das bestas mutantes, a humanidade encarava uma crise ainda maior: o esgotamento dos alimentos e da água potável.
Esgotados todos os mantimentos ao alcance, restavam apenas duas opções aos sobreviventes: permanecer em casa e aguardar a morte pela fome, ou abandonar o refúgio, arriscando-se sob os olhos vigilantes dos zumbis na busca por alimentos.
Vou proteger você.
Vou procurar comida e água para você.
Qin Luo, com seriedade, traçou no chão, letra por letra, a promessa que lhe fazia.
An Xueqing postava-se a dois passos de Qin Luo, encostada à janela. Seu olhar passeava pelas palavras escritas no chão, mas não raro desviava-se para o exterior, contemplando o cenário lá fora.
— Senhor Zumbi, talvez para você, sobreviver neste apocalipse seja algo fácil. Afinal, lá fora, aqueles zumbis são seus iguais, enquanto nós, humanos, é que somos a presa a ser caçada — disse An Xueqing, semicerrando os olhos e fitando as palavras desenhadas por Qin Luo. — Mas você não aproveitou meu sono para matar-me, não me devorou, e ainda trouxe muita comida para mim. Sou sinceramente grata.
Sua voz era grave, o tom quase inexpressivo, como se a presença de Qin Luo e tudo o que ele fizera por ela não lhe despertassem grande interesse.
Não preciso da sua gratidão.
É porque você ainda tem utilidade para mim.
Por isso a salvei.
Qin Luo rapidamente desenhou estas palavras no chão e então ergueu o olhar para fitar os olhos de An Xueqing.
O rosto dela permaneceu inexpressivo, mas ao notar o olhar fixo de Qin Luo, seus lábios se curvaram brevemente, revelando um sorriso radiante.
— Entendi! Mas, de qualquer modo, agradeço de todo o coração, senhor Zumbi!
Ao ouvir novamente An Xueqing chamá-lo de “senhor Zumbi”, Qin Luo, embora soubesse não haver erro algum nisso, não pôde evitar uma pontada de desagrado.
Eu tenho um nome.
Por favor, chame-me de Qin Luo.
— Senhor Qin Luo? Qin Luo, o Zumbi! Gravarei isso. Daqui em diante, chamarei você de Qin Luo, senhor Zumbi! — disse An Xueqing, lendo as palavras no chão, endireitando o corpo e falando com seriedade.
— Então, senhor Qin Luo, por hoje conversarei apenas isto com você, pode ser? Agora desejo retornar ao meu quarto.
Qin Luo assentiu ao pedido de An Xueqing, acompanhando-a com o olhar até que ela desaparecesse em sua habitação.
Estavam no fim do corredor do quarto andar do edifício; há pouco, An Xueqing apoiara-se junto à janela, enquanto Qin Luo permanecia agachado a dois passos dela, munido de um pincel que a própria An Xueqing lhe emprestara, escrevendo no chão para comunicar-se.
Sou, de fato, um idiota completo!
Ao vê-la entrar no quarto, Qin Luo sorriu amargamente, zombando de si mesmo em silêncio.
Um zumbi devorador de homens, um ser consumido pela sede e fome a ponto da insanidade, diante de uma jovem bela e inocente, inalando de perto o doce aroma de sua carne e sangue, e, mesmo assim, forçando-se a conter os próprios impulsos, fingindo a mansidão de um cordeiro inofensivo.
Como seria cômica sua imagem aos olhos de An Xueqing? E com que sentimentos ela fingiria indiferença ao interagir consigo?
A essas perguntas, Qin Luo não encontrava resposta.
O diálogo com An Xueqing não era tão agradável quanto imaginara; embora ela sempre respondesse a tudo com polidez e compostura, Qin Luo desgostava do semblante que ela fingia ostentar. Desejava encontrar alguém a quem pudesse confidenciar suas angústias, partilhar a dor, mas o disfarce de An Xueqing tornava impossível desabafar, restando-lhe apenas indagações sobre a situação atual do apocalipse.
Bum!
Num quarto do sétimo andar, Qin Luo arrombou a porta com um chute. Dela saiu um zumbi trajando roupas intactas, sem um único ferimento no corpo. Era um ancião, aparentando mais de sessenta anos; privado de carne humana, seu corpo mirrara até que a pele se colasse aos ossos, uma caveira ambulante.
Ao sair, parecia captar o aroma do sangue de An Xueqing vindo do quarto andar, e avançou aos uivos em direção às escadas.
Qin Luo, postado atrás dele, ergueu a mão esquerda e, brandindo uma barra de ferro, desferiu-lhe um golpe fatal na cabeça.
Do sétimo ao segundo andar, Qin Luo exterminou todos os zumbis remanescentes do edifício, varrendo-os de cima a baixo.
Havendo prometido proteger a segurança de An Xueqing, Qin Luo sabia que devia eliminar qualquer ameaça em potencial à sua volta, começando pelos zumbis que ainda habitavam o prédio.
Nos andares superiores ao segundo, os zumbis não somavam mais que uma centena; todavia, no saguão do térreo, amontoavam-se pelo menos quinhentos, vindos das redondezas.
Quinhentos zumbis representariam um perigo letal para qualquer humano, porém para Qin Luo, fosse quinhentos ou cinquenta mil, exterminá-los era tão simples quanto ceifar ervas ou cortar legumes — apenas demandava mais ou menos tempo.
No primeiro dia de sua consciência desperta, seduzido pelo aroma do sangue humano e para aliviar a tortura de sua fome, Qin Luo já massacrara cerca de mil zumbis em duas horas. Agora, preparava-se para nova chacina.
Se antes matara para aplacar a própria sede e fome, desta vez o fazia para proteger uma jovem chamada An Xueqing.
Com tal pensamento, Qin Luo adentrou o saguão infestado e ergueu ambas as mãos.
Dispensou barras de ferro ou outras armas: como antes, utilizou as próprias garras como instrumentos de morte.
Embora não conseguisse enxergar nos zumbis desprovidos de consciência e inteligência qualquer semelhança consigo, a cada nova carnificina sentia-se levemente incomodado. Por isso, para abreviar o massacre, preferia usar suas garras — a mais eficiente das armas.
Uma hora depois, restava de pé, entre cadáveres espalhados, apenas um último zumbi: Qin Luo.
De pé, entre corpos destroçados, Qin Luo fitava as garras erguendo-as diante dos olhos. Desde o despertar de sua consciência, já ceifara mais de mil e quinhentos zumbis com aquelas lâminas, sempre tão cortantes e limpas, sem jamais reter vestígio algum de sangue ou carne.
— São, de fato, garras nascidas para o massacre — murmurou Qin Luo, e pôs-se a limpar o campo de batalha.
O verão já tomava conta de Shi Men, e os corpos dos zumbis apodreciam rapidamente; se os deixasse ali, em poucos dias o edifício seria dominado pelo fedor da decomposição.
Além disso, tamanha quantidade de cadáveres poderia atrair feras mutantes necrófagas, como naquele instante, quando já havia um gato preto rondando a entrada do prédio.
Apesar de atraído pelo banquete, o felino, talvez temendo quem matara tantos zumbis, não ousara se aproximar, limitando-se a rondar do lado de fora.
Após mirar, com olhos acinzentados, o animal à porta, Qin Luo apressou-se. Precisava remover todos os cadáveres antes que surgissem mais mutantes.
Dois corpos... quatro... seis... dez... vinte... cem... duzentos... quatrocentos...
Qin Luo corria, arrastando corpos para fora do prédio.
Talvez devesse agradecer à resistência incansável do corpo zumbi: mesmo após arrastar centenas de cadáveres, não sentia cansaço algum, e sua força, agora, era muitas vezes superior à de um humano. Mesmo conduzindo dois corpos por vez, movia-se com velocidade surpreendente.
Três horas depois, ao depositar o último cadáver diante da entrada, uma pequena montanha de corpos já se formara, e à sua volta, uma dúzia de gatos pretos devorava a carne pútrida.
Nas calçadas, a cem metros de distância, Qin Luo divisou centenas de ratos cinzentos, corpulentos como leitões. Não apenas seus corpos haviam crescido, mas de suas bocas despontavam presas longas e afiadas, e as garras nas patas atingiam vários centímetros.
Apesar da aparência feroz, as centenas de ratos mantinham-se a distância, como se ainda temessem o antigo predador.
Ao lançar o último corpo sobre a pilha, Qin Luo preparava-se para retornar, quando um rugido felino irrompeu atrás de si.
Um gato preto saltou rapidamente à sua frente, barrando-lhe o caminho.
O animal baixou o corpo, estendeu as patas e rosnou baixo, pronto para atacar.
Logo outros gatos se juntaram, cercando Qin Luo por trás e pelos flancos.
Diante dessa situação, Qin Luo sentiu, pela primeira vez, o medo. Embora só houvesse despertado há poucos dias e ainda não recordasse a vida humana, já começava a saborear a existência plena de um ser consciente, dotado de inteligência. Não queria morrer — muito menos servir de alimento para um bando de gatos pretos mutantes.