Capítulo Seis: Um Pouco de Drama
— O outro policial era a A’Cai? — Olhei para A’Cai, e percebi que Long Ge já havia retornado, ansioso pela próxima rodada.
A’Cai pousou a garrafa, balançou a cabeça com resignação e também voltou para junto de nós: — De que adianta?
— Quem perde sempre tem que pagar alguma coisa, não é? Façamos assim: quem perder, bebe! — Long Ge explicou, deixando claro que não se satisfizera com o que havia bebido antes. — Agora há pouco, aqueles que estavam apressados para ir pra casa cuidar dos filhos nem mencionaram a bebida.
Sisi recolhia as cartas, e lançou um olhar de soslaio para Long Ge: — Seu fígado é menor que o do Cheng Ye, mas a tua voz é sempre a mais alta.
— Só diz se pode ou não, meritíssima juíza!
— Olha só, agora você lembra que eu sou juíza?
— Vamos lá, não exagera... Hoje é meu aniversário...
Long Ge tentou se impor, mas sem muita convicção.
Sisi sorriu de canto, embaralhando as cartas: — Está bem! O aniversariante manda!
Eu, que até então me sentia segura com o jogo, ao ouvir falar de beber, senti um certo receio e apressei-me em intervir: — Long Ge, o Kevin ainda é menor de idade...
— Fácil de resolver! Sisi, você bebe no lugar do Kevin!
Sisi largou as cartas sobre a mesa com um estalo, riu e deu um tapinha em meu joelho: — O aniversariante ordena, não posso recusar!
— Sisi, minha irmã... ela não pode... beber... não é? — Kevin hesitou, a última palavra saiu com dificuldade.
— Xiao Lu, um pouco não faz mal, certo?
— Long Ge, se Xiao Lu não pode beber, não insista —, disse Zhao Yang, para minha surpresa. Embora fosse meu veterano, tinha a mesma idade que eu. Com receio de estragar a animação da turma, forcei um sorriso: — Não faz mal, Long Ge, acho que não vou acabar bebendo muito.
— Bah... — Todos expressaram, em uníssono, seu desprezo por minha covardia.
Kevin me olhou, pensativo, mas nada disse.
O que veio a seguir foi de fato surpreendente; talvez as minhas palavras tivessem surtido algum efeito. Juro, não bebi uma única gota.
O chão estava coberto de garrafas, mas nenhuma delas era minha.
Após várias rodadas, Long Ge, glorioso, já estava vermelho até o pescoço.
— Não jogo mais, já foram quatro garrafas —, resmungou Cheng Ye, jogando as cartas na mesa.
Zhao Yang olhou para o veterano Cheng Ye, sorriu e lhe passou outra cerveja: — Está passando mal? Veja Long Ge, já foram oito garrafas.
Ao terminar, lançou-me um olhar: — Xiao Lu, parece que você não bebeu nada.
Assenti, sorrindo, enquanto contava, em silêncio, as garrafas de cada um. A’Cai, seis; Xiao Xiao, duas; Sisi, que era Kevin, cinco; Zhao Yang, cinco; Lao Meng e Long Ge, oito cada um. Jogamos por mais de três horas, e Long Ge e Lao Meng perderam quase todas as rodadas...
O estômago de Long Ge parecia mesmo um oceano, capaz de receber todos os rios. E ele continuava bebendo.
Seu rosto rubro, ele tomou a palavra, solenemente: — Hoje estou... especialmente, especialmente feliz.
— Não quero ouvir tuas baboseiras —, Sisi cortou, empurrando a mão estendida dele de volta. De repente, ergueu as sobrancelhas, animada: — Esta deve ser, tirando o Kevin, a terceira vez que nós oito jantamos juntos! Que tal cada um falar de sua impressão sobre os outros?
Long Ge bateu a mão na mesa, arreganhou um sorriso: — Ótima ideia! Mas não aguento mais, já volto.
Levantou-se e saiu; considerando seu estado, era mesmo o momento perfeito para tal coisa. Depois de algumas garrafas, ainda mantinha certa clareza ao discursar, mas todos já estavam levemente ébrios. Embora eu não tivesse bebido, sempre que a noite avança, pareço embriagada de cansaço, tão real quanto o efeito do álcool. Portanto, falar das impressões mútuas agora seria explosivo; todos diriam verdades.
O que me surpreendia, porém, era que Long Ge, após oito cervejas, ainda articulava as frases. Voltei-me para Sisi:
— Long Ge tem uma tolerância incrível agora!
— Espere ele voltar, você verá —, respondeu ela, sarcástica.
De fato, não tardou, Long Ge já estava cambaleando, dando um passo à frente, dois atrás.
— Vamos, vamos, hoje eu estou tuper, tuper feliz! — A fala de Fei Ge ainda era compreensível, sinal de que ainda aguentava mais duas garrafas. — Xiao Lu, pega um copo, vamos brindar!
Sisi pegou um copo para mim, mas Lao Meng interceptou quando ela mal havia enchido metade.
— Feliz aniversário, Long Ge!
Erguemos os copos, e logo todos esqueceram o combinado de comentar as impressões, pois Long Ge começou a falar sem parar.
— Hoje estou especialmente feliz!
— Xu Feilong, já é a terceira vez que você diz isso... — Sisi o encarou com impaciência, descascando sementes de girassol.
— Não, Sisi, eu estou tuper feliz! Embora Xiao Mei e os outros já tenham ido embora, faz tanto tempo que não nos reuníamos assim. Hoje é como voltar aos tempos de universidade. Sempre me lembro daquela época. Como era bom! Não precisava agradar ninguém! Estávamos sempre juntos! Mas, Lao Meng, se não fosse você! — Em meio à língua enrolada, todos entenderam.
Lao Meng, pego de surpresa, engasgou-se e esguichou cerveja para todo lado.
Zhao Yang, sem alternativa, deu-lhe umas palmadinhas nas costas: — Vou ao banheiro, seja forte.
— Se não fosse por você, talvez eu já tivesse filhos!
Dessa vez, não foi só Lao Meng quem se engasgou. Mas Long Ge ignorou todos, virou a garrafa e continuou:
— Você, na época, insistiu feito louco em perseguir Xiao Lu! Eu e Sisi te ajudamos tanto! Agora Sisi não fala direito comigo, você não sabe por quê? Ou finge não saber?
A língua, por milagre, não enrolou.
— Xu Feilong, explique-se direito, que história é essa de “já teria filhos”? Não me envolva! — Sisi fez sinal para abrirmos espaço; ela se acomodou ao nosso lado no sofá e, de passagem, arrancou a almofada de meu colo e arremessou em Long Ge. Cercada por todos, eu não tinha mais para onde fugir.
— Viu só? Agora até me batem! — Long Ge, de repente, tinha os olhos marejados. — Lao Meng, se eu soubesse que seria assim, teria ajudado Zhao Yang! Nós até planejamos juntos a declaração! No dia, compramos flores! Zhao Yang, com tanto esforço, tomou coragem! Mas no “Verdade ou Consequência”, você disse que gostava da Xiao Lu. Eu queria ajudar Zhao Yang, mas ele me deteve. Ele balançou a cabeça e só te fez uma pergunta, e desistiu de um ano inteiro de sentimentos. Perguntou para você...
Embora muitos anos tenham se passado, lembro-me de cada palavra daquela noite, de cada detalhe, por mais que tentasse esquecer.
— Lao Meng, você fala sério? — As lentes dos óculos de Zhao Yang refletiam a luz, ocultando-lhe a expressão.
Lao Meng ergueu a garrafa e a esvaziou num só gole: — Sério como nunca.
Eu estava completamente atônita. Esperava que Long Ge mencionasse o passado entre mim e Lao Meng, mas jamais imaginei...
Subitamente, muitas dúvidas da época universitária se dissiparam: por que via Zhao Yang com frequência no primeiro ano, mas quase nunca a partir do segundo? Por que ele sempre estava ocupado, ausente dos nossos encontros? Por quê... por quê... tantos porquês que hoje, enfim, encontravam resposta.
— Sabia... — A’Cai suspirou profundamente.
— Sisi acha que, por ter ajudado você a conquistar Xiao Lu, carrega isso no peito. Diz que, ao me ver, lembra que fomos cúmplices... Se Xiao Lu tivesse ficado mais duas horas na neve, nem os deuses a salvariam! Achei que, mesmo após a formatura, nosso grupo jamais se dispersaria. Xiao Lu era a mais nova, teimosa, mas todos a protegíamos! Sisi dizia que, enquanto estivéssemos juntos, ninguém ousaria fazer-lhe mal! Mas, no fim, quem magoou nossa irmãzinha foi você!
As lágrimas caíam, irrefreáveis. Sisi me passou um lenço, e percebi que seu rosto também estava sulcado de lágrimas.
— É isso mesmo —, disse Sisi, chorosa. — Quem fez nossa irmã chorar foi você, Meng Hangqing! Xu Feilong, você bêbado entende mais do que sóbrio. Por que acabamos assim? Lao Meng, Xiao Mei, Yaya, eles nada dizem, mas você não sabe o que sentem? Não quero mais falar contigo, não só por Xiao Lu, mas por você; foi você quem desfez nosso grupo! Nos separou para sempre!
— O que está acontecendo...? — Zhao Yang ajustou os óculos, perplexo, ao entrar. — Fui só ao banheiro... Sisi, Xiao Lu, o que houve? Quem fez vocês chorarem?
Uma frase me entalava na garganta; ao encarar Zhao Yang, as lágrimas se renovaram.
— Meng Hangqing, tantos anos de irmandade... Eu... eu... urgh... — E, quando todos esperavam outra tirada eloquente de Long Ge, ele virou-se e vomitou em cima de Cheng Ye. O susto fez minhas lágrimas secarem de imediato.
— Que vergonha! — Sisi, impaciente, fez sinal para Cheng Ye e Zhao Yang arrastarem Long Ge para fora. — Levem-no para o pátio, deixem-no vomitar lá fora; vai desmaiar voltando do vento...
Zhao Yang, ainda atônito, saiu carregando Long Ge.
— Alguém quer ir ao banheiro? — A’Cai olhou para mim e Xiao Xiao. — Bebi demais.
Balancei a cabeça; Xiao Xiao saiu junto, provavelmente por causa do efeito diurético da cerveja, que eu quase não tinha consumido.
— Vou ao banheiro também.
Assenti para Kevin, e, ao vê-lo abrir o portão, arrependi-me de imediato. O assunto havia cessado de modo abrupto e estranho, e, com as lágrimas ainda frescas no rosto, restávamos apenas eu e Lao Meng ali, numa atmosfera de constrangimento.
— Você está bem?
A pergunta de Lao Meng arrancou-me dos pensamentos. Olhei para ele, confusa; parecia diferente do que eu lembrava, o olhar ainda gentil, mas os olhos não mais límpidos como outrora. Talvez a vida competitiva deixasse traços duros nos rostos.
Como eu poderia estar bem? Não estava nada bem... No dia do término, fui parar no hospital... Depois, chorei todas as noites... Evitava todos os lugares onde estivéramos. Escondia-me em casa, sentindo que, naquela imensa Cidade B, não havia um canto para mim... “Bem” era o que eu menos estava.
— Estou bem... — Não sei por que, mas foi isso que saiu.
— O senhor Yang... é bom para você?
— Muito bom...
— Que bom... e o trabalho...
— Eu também... preciso ir ao banheiro... — Levantei-me, ansiosa por escapar daquele diálogo.
Ele também se levantou, deu dois passos atrás de mim, mas recuou o pé ao tentar avançar.
Só queria fugir dali, mas esqueci que, quando estou em apuros, minha desgraça se multiplica. Desatenta, tropecei na cadeira em que Sisi estivera sentada e caí, desajeitada, para frente. Mas, em vez de despencar, fui amparada pelos braços de Lao Meng. Ele segurou meu braço e mão, ajudou-me a levantar, e todo meu corpo começou a tremer. Quis me soltar, ficar de pé sozinha, mas estava sem equilíbrio, dependia dele...
— Xiao Lu, sua mão...
Por fim, ao me erguer, ele não largou minha mão, antes detendo-se em meus dedos.
— Essas cicatrizes nos dedos e no dorso... o que houve? — Levantou minha mão, virou de um lado a outro, e eu forcei para puxar, mas em vão. — Você não está bem... nada bem...
Ele ergueu o olhar para mim, e seus olhos estavam vermelhos.
— Meng Hangqing! O que vocês estão fazendo!? — A voz aguda me sobressaltou. Segui o som, apressada, puxando minha mão de volta, e vi Peng Lai, vestida de azul safira, entrando furiosa pela porta, que não ouvimos abrir. Ela irrompeu, olhos lançando dardos:
— Já achei estranho você não voltar para casa no meio da noite; agora entendi, tinha encontro marcado!