Capítulo 5: Exclusão

Kelahiran Kembali: Sang Ratu Film Sepuluh Tahun Bayangan samar-samar 3406kata 2026-03-14 14:37:02

O papel interpretado por Zhou Xianing era o de aia de Zhou Yu — uma personagem de poucas cenas, que poderia ter suas gravações concluídas em dois ou três dias, uma autêntica coadjuvante entre os coadjuvantes. “Crônicas dos Três Reinos” era uma superprodução de época, um épico histórico de grandes proporções: os investidores não pouparam recursos, contrataram um diretor renomado, atores consagrados, tudo para compor um elenco digno de luxo e grandiosidade.

Wang Yuchen, na verdade, era um jovem diretor de laboriosa dedicação — não à toa, com tão pouca idade, já havia alcançado considerável êxito. No primeiro dia de chamada, a equipe iniciou imediatamente as filmagens.

Naquele primeiro dia, Zhou Xianing não tinha cenas a gravar, mas mesmo assim não permaneceu ociosa. Recolheu-se a um canto, os olhos atentos, imersa na observação e, de maneira furtiva, postou-se atrás do diretor para escutar suas instruções.

O roteiro já fora folheado até quase se desfazer em suas mãos. Sua personagem tinha apenas uma única cena do início ao fim; aquela linha de diálogo, ela a examinara e repetira tantas vezes que já beirava o delírio. Seu talento para a atuação era, na verdade, indiscutível, mas, paradoxalmente, quanto mais segura era de suas capacidades, mais insegura se sentia, a dúvida corroendo-lhe o peito. Afinal, em sua vida anterior ela havia sido atriz de terceira categoria por mais de uma década; por vezes, ao interpretar um papel irrelevante, o diretor sequer se importava com sua performance — no máximo, era apenas um manequim animado em cena.

A única vez em que recebera aprovação fora no último grande drama emocional que gravou, “Em Busca da Origem”. Naquele momento, os holofotes convergiram sobre ela, todos os louros lhe foram concedidos. Contudo, ao retornar daquela glória para a realidade presente, começou a se questionar: será que aquele prêmio não lhe fora concedido em parte por consideração a Xia Tao?

Sorriu amargamente consigo mesma. Todos aqueles anos de luta para conquistar o título de melhor atriz, agora, ao rememorar, soavam-lhe etéreos e insubstanciais.

No momento, precisava desesperadamente de uma confirmação.

— Caloura.

Zhou Xianing, absorta em pensamentos, ergueu os olhos instintivamente. Zhuang Yi acenava-lhe com um sorriso, segurando uma coxa de frango na mão.

A princípio, nada de extraordinário — não fosse pelo contraste com o figurino de época, de nobre elegância, que fazia aquele gesto destoar e arruinar-lhe por completo a imagem.

— Venha, venha tomar o chá da tarde!

O outro sorria afável e hospitaleiro; Zhou Xianing, sentindo o olhar dos presentes, aproximou-se devagar. O assistente de Zhuang Yi, de sobrenome Ren, um rapaz jovem, apressou-se em servir-lhe uma xícara de chá preto em copo descartável.

Chá preto acompanhado de coxa de frango assada — um chá da tarde deveras inusitado.

Zhou Xianing agradeceu e, cabisbaixa, sorveu um gole em silêncio.

O olhar de Zhuang Yi percorreu-lhe o rosto, e então ele sorriu-lhe de maneira enigmática.

Lamentavelmente, Zhou Xianing, de cabeça baixa, não percebeu.

Quem notou foi Li Xuan, que acabara de gravar uma cena; aproximou-se, franzindo o cenho, e lançou-lhe um resmungo frio.

Zhuang Yi, reclinado com indolência numa espreguiçadeira ao sol, roía sua coxa de frango; Zhou Xianing, sentada num banquinho de plástico improvisado ao lado, ergueu o olhar para Li Xuan, e seus olhares se cruzaram.

Não pôde evitar um sorriso amargo. Provavelmente todo o set já sabia: a estrela em ascensão, protagonista do filme, Li Xuan, não gostava dessa pequena figurante — muitos deviam conjecturar o que ela teria feito para desagradar a atriz principal.

Naturalmente, não sabia que também havia quem, em segredo, especulasse se Li Xuan e Zhuang Yi seriam um casal. Afinal, não era a primeira vez que faziam par em cena, e já houvera rumores antes; talvez, pensavam, os dois estivessem brigados, e Zhuang Yi, por pura pirraça, acolhia amigavelmente a novata para provocar ciúmes em Li Xuan.

Se Zhou Xianing pudesse ouvir tais conjecturas, provavelmente riria até sangrar!

Após as gravações, Li Xuan não resistiu e, evitando a multidão, afastou-se para ligar o telefone.

— Alô?

— Sabe quem encontrei hoje? — perguntou.

— Foi Ning Ning, não foi? — do outro lado, a resposta veio despreocupada, o que só aumentou a irritação de Li Xuan.

— Então você já sabia! E eu pensando que ele não fazia ideia de nada! — Tantos anos se passaram, as famílias quase perderam contato. Li Xuan já imaginara, mais de uma vez, como seria um reencontro, mas jamais pensara que aconteceria num set de filmagem.

Não achava que a personalidade de Zhou Xianing combinasse com esse meio, tampouco imaginava que ela realmente o adentraria. Mas o destino é sempre um mistério, e agora ambas já não eram mais as mesmas de outrora.

Li Xuan não sabia nomear o que sentia — um misto de emoções turbulentas.

— Já que estão no mesmo set, cuide dela — disse a voz, após uma longa pausa, grave e pausada.

Essa entonação, Li Xuan já ouvira algumas vezes; mas, desta vez, foi especialmente difícil de suportar.

— E por quê? Quem ela é para mim? Por que eu deveria cuidar dela? Uma novata que nada sabe, já é muito eu não a estar atormentando! — Respondeu, furiosa, e desligou abruptamente, voltando para o grupo.

O set estava animado. Li Xuan e Wang Yuchen não trabalhavam juntos pela primeira vez; suas equipes já eram conhecidas, até mesmo Zhuang Yi já contracenara com ela em outras produções.

Li Xuan acabara de ser eleita a atriz mais popular no Festival Universitário de Cinema; no primeiro dia de filmagens, todos exigiram que o diretor Wang oferecesse um banquete em sua homenagem.

O trabalho terminou cedo. Zhou Xianing não esperava que, ao encerrar o expediente, o ambiente do set se tornasse tão festivo: um diretor jovem, protagonistas jovens, uma equipe igualmente jovem — tudo era diferente.

Zhou Xianing sentiu uma energia vibrante no ar.

— Irmã Li, hoje é sua comemoração. Aqueles que você não gosta, quer que eu peça para não virem? — Aproximou-se uma jovem atriz, também coadjuvante, de sobrenome Zhang, que interpretava a aia de Li Xuan. Li Xuan, indiferente a assuntos extraficcionais, especialmente com novos atores, não se importava.

As palavras da menina eram claras: pretendia humilhar Zhou Xianing em público, exaltando Li Xuan.

O ambiente ficou tenso por um instante.

Zhou Xianing também ouviu. Levantou a cabeça e olhou para Li Xuan.

Li Xuan encarou Zhou Xianing friamente e, após um momento, torceu os lábios com indiferença:

— Claro — respondeu, displicente.

A garota Zhang sorriu, satisfeita, e foi até Zhou Xianing, dizendo alegremente:

— Zhou Xianing, você não vai, não é?

Zhou Xianing continuou a olhar para Li Xuan, como se não tivesse ouvido a pergunta ao lado.

Sob o olhar de todos, a jovem sentiu-se constrangida e repetiu a questão, agora em tom mais ríspido.

Li Xuan já desviara o olhar. Zhou Xianing virou-se sem sequer lançar um olhar à garota, e soltou um leve sorriso:

— Não irei. Divirtam-se.

Dito isso, saiu rapidamente do cenário do palácio dos Três Reinos, recém-utilizado nas gravações.

O rosto de Li Xuan ainda ostentava um sorriso de desdém, mas assim que Zhou Xianing se voltou, ele se desfez instantaneamente. Sem olhar para a garota que tentava agradá-la, Li Xuan acenou com largueza:

— Vamos, hoje é dia de festa — o diretor Wang está pagando!

Ao atravessar os portões do palácio, Zhou Xianing desacelerou o passo, ouvindo ao longe as vozes festivas, e sentiu um certo pesar no peito.

O que lhe doía era um sentimento de profunda mágoa.

Não era pela exclusão da garota. Onde há pessoas, há disputas; neste meio, é pura hipocrisia afirmar que não se deseja ascender. Tendo morrido uma vez, Zhou Xianing via tudo com mais clareza: há quem pise em outros por míseros interesses, e o que acontecera ali não passava de um jogo pueril de ciúmes entre moças — não seria por tão pouco que guardaria rancor. A jovem Zhang era apenas ingênua.

O que realmente lamentava era a impossibilidade de restabelecer laços de verdadeira intimidade.

Sentimentos feridos são mais difíceis de restaurar do que construir um novo relacionamento. Nem ela, nem Li Xuan estavam erradas — apenas ocupavam hoje posições distintas. Por querer proteger quem lhe era mais caro, às vezes foi preciso abrir mão de certas pessoas, de certos assuntos.

Recomeçar assim não era de todo ruim; comparado à vida passada, em que ambas se confrontavam abertamente, agora tudo era mais pacífico. Afinal, uma discussão só prospera quando ambas as partes têm ânimo para o embate.

Zhou Xianing caminhava pela base cinematográfica enquanto o sol se punha, contemplando cenários familiares e ao mesmo tempo tão distantes, e aos poucos seu ânimo se elevava. Quanto a Li Xuan, ainda lhe devia um “desculpe”; talvez, quando o tempo e a serenidade permitissem, pudessem sentar-se e conversar — sobre os caminhos trilhados e as saudades que restaram.

A Base Cinematográfica Linshui havia ascendido ao posto de maior centro audiovisual da Ásia; especialmente para dramas de época, era o destino quase obrigatório, o que fez florescer hotéis e restaurantes nos arredores, tanto para as estrelas que por ali circulavam quanto para os fãs que vinham de longe.

A equipe de “Crônicas dos Três Reinos” reservou um restaurante famoso e pequeno, onde as mesas estavam repletas. Wang Yuchen, com sua habitual seriedade, sentava-se num canto, inatingível; os mais jovens se agrupavam ao redor de Zhuang Yi e Li Xuan, e os novatos não cessavam de chamá-los carinhosamente de “irmão Zhuang” e “irmã Li”.

Li Xuan, com o peito oprimido, tomava goles de vinho, e a jovem atriz de sobrenome Zhang aproximou-se sorrindo:

— Irmã Li, essa Zhou Xianing se acha demais! Pensa que é alguém importante... Fique tranquila, vou ficar de olho nela para você.

Dividindo quarto com Zhou Xianing, sabia que com a conivência da equipe haveria mil maneiras de infernizar a vida da outra.

Li Xuan tinha bom fígado; algumas taças eram apenas um aperitivo, mas o ressentimento crescia. Ao ouvir novamente o nome “Zhou Xianing”, a irritação subiu-lhe à cabeça como o álcool.

— E quem ela pensa que é? — largou o copo, lançando um olhar enviesado para a garota de aparência doce e inocente. “Neste meio, nunca faltam moças assim. E você, o que pensa que é? Tem coragem de vir falar besteira na minha frente?”

Ainda sorrindo, mas agora com uma expressão de deboche, Li Xuan prosseguiu — já vira muita gente arrogante, mas só dava atenção àqueles cujas “acrobacias de macaco” lhe interessavam.

A menina empalideceu.

Sem lhe dar atenção, Li Xuan pegou o copo e foi brindar com Zhuang Yi.

— Zhuang Yi, desde quando você ficou tão fresco? Não vai beber? Está naqueles dias especiais do mês, é? — Li Xuan sempre fora de temperamento aberto, e, por conhecer Zhuang Yi tão bem, não media as palavras, sobretudo estando de mau humor.

Zhuang Yi, porém, apenas sorriu, erguendo sua xícara de chá:

— De fato, hoje é um dia especial. Não posso beber.

Li Xuan torceu o nariz, com um misto de desprezo e impaciência, e foi importunar Wang Yuchen.

Enquanto se afastava, Zhuang Yi, pensativo, sorveu um gole de chá, os olhos fixos no vulto de Li Xuan. Ela estava estranha naquele dia, emocionalmente instável — em todos esses anos de convivência, era a primeira vez que a via assim. Pensou então em Zhou Xianing, a única deixada de fora; suas belas sobrancelhas se arquearam levemente.