Capítulo 2: Rebobinar e Recomeçar

Kelahiran Kembali: Sang Ratu Film Sepuluh Tahun Bayangan samar-samar 3602kata 2026-03-11 14:43:47

Zhou Xianing sentou-se abruptamente na cama, arfando em grandes golfadas de ar, e apenas após um longo instante conseguiu acalmar-se.

Já fazia uma semana que ela sonhava todas as noites com a mesma cena: num momento, estava de pé na mais prestigiosa cerimônia de premiação cinematográfica de toda a Ásia, ouvindo seu nome ser anunciado pelo mestre de cerimônias, tomada por uma incredulidade jubilosa; no instante seguinte, sentava-se no assento junto à janela da classe executiva de um avião, gritando de olhos fechados, enquanto a sensação apavorante de perda de gravidade fazia seu coração ser torcido até virar um nó.

Era um sentimento demasiado aterrador. Zhou Xianing pensou que levaria muito, muito tempo até criar coragem para voar de novo...

Passou a mão pelo rosto, sorrindo amargamente, resignada. Seria isso uma peça do destino? Sua vida mal começara a brilhar, e já era forçada a rebobinar, a recompor o caminho.

Ficou sentada, absorta, por alguns minutos antes de descer lentamente da cama.

Aquele era seu dormitório, há tantos anos afastada, e agora, ao retornar, sentia-se ainda mais tocada. Depois de formada, voltara ali inúmeras vezes em sonhos. Pensava o quanto realmente sentia falta da pureza e despreocupação dos tempos de estudante, de uma época sem tanto caos e escuridão. Sem tantas traições e artimanhas, com corações ainda não esmagados e pisoteados sob a lente de aumento da cruel competição social...

— Xianing, você já acordou? Comprei café da manhã, venha comer logo.

Zhou Xianing estava sentada diante do espelho, encarando seu rosto jovem e alvo, quando a porta do dormitório se abriu e uma voz familiar ecoou. Ela hesitou antes de se virar lentamente.

A garota que sorria para ela na porta, erguendo a embalagem do café da manhã, exalava a mesma vitalidade juvenil que ela própria, traços levemente marcantes ainda não ocultados por maquiagem pesada, olhos, nariz e queixo ainda não transformados naquela rigidez estranha de depois.

Lembrava-se de ter visto, no último ano, uma matéria online intitulada “Atrizes Desfiguradas por Cirurgias Plásticas”, na qual ela própria aparecia irreconhecível. Na ocasião, Zhou Xianing apenas sentiu um amargo pesar, sem qualquer escárnio ou sensação de justiça.

Restava-lhe, apenas, um certo lamento: afinal, já haviam trilhado caminhos tão distintos e distantes.

Naquele círculo, talvez o mais difícil fosse mesmo preservar o coração original.

— Você ainda está sonolenta? Venha logo tomar café. Daqui a pouco a irmã Du virá nos buscar.

Zhou Xianing hesitou por um momento, vasculhando a memória até recordar vagamente: naquela época, ela e Ye Weimeng gravariam juntas um comercial de biscoitos.

Era já o quarto sábado após o início do último ano da faculdade; as outras duas colegas deviam ter ido à biblioteca, restando apenas elas no dormitório. No começo do semestre anterior, ela e Ye Weimeng tinham sido descobertas por um olheiro da atual agência e, após gravarem juntas um comercial de produtos antiacne, foram naturalmente admitidas no círculo artístico, tornando-se ainda mais próximas.

Se, em sua vida anterior, ela ingressara nesse mundo cheia de expectativa e ingenuidade, agora já conhecia todas as regras. Seria, então, possível trilhar um caminho mais suave? Todos os tropeços, lágrimas e cicatrizes já não precisariam ser temidos?

Antes, fora dominada por tantas preocupações que chegou a abrir mão de oportunidades óbvias. Agora, talvez pudesse avançar com mais firmeza, mais liberdade.

Zhou Xianing aceitou em silêncio o café da manhã trazido por Ye Weimeng e comeu sem pressa. Após lavar as mãos, recebeu a ligação da agente Du.

Já estavam no último ano, restando apenas uma matéria obrigatória sem grande peso e uma optativa. Para melhorar os índices de empregabilidade, a universidade relaxava a fiscalização de presença, especialmente para quem já tinha contrato assinado com empresas. Por isso, Du avisara no início do semestre que aumentaria os trabalhos agenciados.

Meia quinzena antes, Zhou Xianing e Ye Weimeng haviam acompanhado Du a duas audições em sets diferentes. Se não estava enganada, hoje receberiam o resultado.

Lançou um olhar sereno à silhueta de Ye Weimeng à frente, depois desviou o rosto.

Hoje, tudo era diferente.

Ao avistar Du à espera no carro, Zhou Xianing não conteve uma ponta de emoção. Afinal, até o momento de sua morte, apenas Du apertara sua mão com firmeza.

As duas, no fim, eram como irmãs de vida e morte.

Aquela irmã mais velha, que a guiara desde o ingresso no showbiz, fora sua bússola do começo ao fim. E, no entanto, ela mesma dera-lhe tão pouco em troca.

— Xianing, tudo vai melhorar daqui em diante! — Ela ainda se recordava com nitidez das palavras de Du, emocionada, quando conquistou o prêmio de melhor atriz.

Mas, na realidade, antes mesmo de provarem o doce do sucesso, tudo se interrompeu abruptamente.

— Entrem logo no carro.

Naquele momento, Du, diante das novas pupilas, exibia apenas um rosto frio e severo, intimidante.

Ye Weimeng puxou discretamente a manga de Zhou Xianing, apressando-a. Zhou Xianing, porém, abriu um sorriso radiante: — Bom dia, irmã Du.

— Hum — respondeu Du Yanan, acenando displicente, e, assim que as duas entraram, arrancou com rapidez.

O comercial daquele dia era para um novo biscoito de chocolate com recheio de leite, de uma famosa empresa alimentícia da província J. Além de Zhou Xianing e Ye Weimeng, outro ator era um jovem de pele morena clara; juntos, simbolizavam o biscoito recheado.

Os três eram estreantes na indústria. Zhou Xianing e Ye Weimeng tinham apenas dois comerciais no currículo; o rapaz, segundo diziam, havia feito um papel secundário num filme ainda não lançado, sendo, portanto, um rosto desconhecido.

Zhou Xianing já não se recordava muito bem dele, mas lembrava da agente que o acompanhava — anos depois, viria a ser conhecida por exigir que todos os novos talentos, homens ou mulheres, passassem por sua “inspeção” antes de conseguirem oportunidades.

Quão abjeto era o apetite daquela gente!

Apenas um olhar bastou para que Zhou Xianing desviasse o rosto com repulsa. Quando o rapaz, tímido e delicado, veio cumprimentá-las, ela limitou-se a acenar friamente.

Seja por resignação, seja por imposição, afinal, tudo se resumia a fama e fortuna.

Ela também amava o sucesso, mas buscava-o com princípios. Antes, por tais princípios, recusara oportunidades, chegando a abrir mão de papéis. Nesta vida, então, não haveria motivo para concessões.

Sua atitude era fria, enquanto Ye Weimeng, sorridente, logo engatou conversa com o colega. Ainda estavam em comerciais, enquanto ele já conquistara um papel no cinema — eis a diferença.

Ye Weimeng jamais desperdiçava chances, sendo hábil em investir em relações. Zhou Xianing, reconhecendo sua inferioridade nesse aspecto, limitou-se a sentar-se discretamente, estudando o roteiro.

Agora, era experiente em gravações, mas isso não lhe permitia desdenhar do trabalho. Aprendera: seja em televisão, seja em cinema, a chave estava em dominar o roteiro.

Compreendendo-o de antemão, assimilava melhor a orientação do diretor. Assim, enquanto Ye Weimeng circulava pelo estúdio em busca de benfeitores, Zhou Xianing permanecia silenciosa, absorta.

Du Yanan, ao terminar as negociações com o diretor, lançou um olhar levemente reprovador a Ye Weimeng.

As gravações correram sem grandes percalços. Zhou Xianing sorria com naturalidade, enquanto Ye Weimeng sofria de um sorriso tenso ao entrar em cena.

A tensão era inerente aos estreantes.

Após repetidas instruções do diretor, concluíram todas as cenas já à tarde.

No carro, Ye Weimeng suspirou aliviada, apertando a mão de Zhou Xianing: — Xianing, estou exausta.

Du Yanan observou-as pelo retrovisor.

— Weimeng, amanhã às sete, espero você no mesmo lugar de sempre.

Du Yanan cerrou ainda mais os lábios, lançando outro olhar a Zhou Xianing, que permanecia serena.

— Tão cedo assim? — Weimeng suspirou profundamente. — Irmã Du, só eu amanhã? Xianing não vai?

Zhou Xianing contemplava o mundo pela janela; ao ouvir, um sorriso quase imperceptível curvou-se em seus lábios.

Naquele momento, Zhou Xianing, em teoria, não sabia de nada, sendo a única das três no escuro. Mas agora tinha certeza: Ye Weimeng sabia perfeitamente para onde iria no dia seguinte. Não precisava olhar para saber que Weimeng mal continha a alegria.

— Os resultados das audições já saíram. A empresa, considerando o perfil de vocês, decidiu mandar Weimeng para o set de “A Concubina de Lótus”. Xianing, você vai para o set de “Crônicas dos Três Reinos” na próxima semana.

— Como assim?! — Ye Weimeng arregalou os olhos. — Irmã Du, foi a Xianing que fez o teste para “A Concubina de Lótus”, como agora sou eu a ir?!

Du Yanan apertou ainda mais os lábios, sem responder.

Zhou Xianing virou-se sorrindo: — Não importa, desde que haja trabalho. — No que dizia respeito à atuação, não ficava atrás de Weimeng. — Ouvi dizer que o diretor Xia Tao é muito rigoroso, você vai ter que se empenhar.

— Ai, Xianing, que confusão da empresa! Eu ia para “Crônicas dos Três Reinos”, agora mudaram tudo! — Weimeng queixava-se sem parar.

Zhou Xianing apenas sorriu levemente, aparentando total indiferença.

Como poderia ser “mudaram de repente”? Na verdade, você lutou com todas as forças por esse papel.

Zhou Xianing inclinou a cabeça e fechou os olhos, fingindo cansaço.

Não é que não pudesse mudar o papel que lhe foi tirado, apenas não via necessidade.

Ela e Ye Weimeng eram consideradas apostas da agência, e ambos roteiros haviam sido arduamente conquistados por Du. “A Concubina de Lótus” reservava-lhe o papel de uma concubina que contracenava com a protagonista; em “Crônicas dos Três Reinos”, o papel era de uma criada, com apenas uma fala: “Senhor, Lúzhu está disposta a ajudá-lo.”

Zhou Xianing pensou que Weimeng claramente não fizera a lição de casa.

Ser criada não era vistoso, mas, se bem interpretado, roubava a cena — afinal, era um drama quase todo masculino, com poucos papéis femininos. Já em “A Concubina de Lótus”, o papel de concubina parecia importante, mas estava sempre à sombra da protagonista; tantas concubinas no palácio, que relevância teria uma novata? Acabaria sendo apenas um bibelô decorativo.

Originalmente, Du Yanan escolhera Zhou Xianing para o papel de concubina por sua aura condizente com uma dama culta, mas a empresa mudara de ideia. Ela ainda tentou lutar, mas foi informada de que a escolha era do próprio set de “A Concubina de Lótus”.

Quando o carro de Du se afastou, Ye Weimeng olhou para Zhou Xianing:

— Xianing, pode voltar para o dormitório, tenho algo a resolver.

— Sim — respondeu Zhou Xianing suavemente, seguindo rumo à universidade sem sequer perguntar mais nada.

Ye Weimeng acompanhou o vulto da amiga até perdê-lo de vista, então, incapaz de conter o júbilo, sacou o celular:

— Xindong, amanhã mesmo vou me apresentar ao set! Obrigada!