Capítulo 6: A pequena princesa perdeu o apetite!
Certamente, ninguém acreditaria se eu dissesse; Xiao Ran sabia que, caso ligasse para a polícia, seria tratada como uma lunática.
Falsas denúncias são crime!
Uma vez, duas vezes, ainda vai; mas esta já era a terceira.
Xiao Ran discou o número de Yao Xinyi. O telefone tocou demoradamente antes de ser atendido.
— Xiao Ran, o que houve? — Pela voz, percebeu-se que ainda não havia se levantado da cama, o tom abafado e sonolento.
— Mana, não vou mais alugar este apartamento.
Xiao Ran não aguentava mais; viver assim todos os dias era de enlouquecer.
— O que aconteceu?
— Ontem à noite trouxe pipoca para casa, e hoje de manhã desapareceu!
— Veja se algum outro objeto de valor sumiu. Se houver perda, denuncie.
— Não é uma questão de objetos. Nada além da pipoca se perdeu... Não é pela pipoca em si, não me importa essa quantidade...
— É que há algo estranho nisso, é um fenômeno bizarro...
— Está bem, entendi. Sei que não está fácil para você. Vou diminuir o aluguel. Agora não me perturbe, estou exausta.
Yao Xinyi desligou após dizer isso.
Xiao Ran ficou sem saber o que fazer; não podia ir à delegacia alegar que metade de uma lata de pipoca sumira!
Ninguém se importaria com esse tipo de caso.
— Sou íntegra, nunca fiz nada de errado, muito menos algo cruel ou perverso. Não temo... que monstros e fantasmas se afastem... que monstros e fantasmas se afastem...
Enquanto falava, Xiao Ran colocou os fones e preparou-se para escrever.
…
Cidade de Chang’an
Pela manhã, serviam sopa de pão e bolos de sésamo.
Neste tempo, as opções de café da manhã ainda eram escassas.
Os três tipos de pão favoritos dos Tang eram o bolo de sésamo, o pão cozido a vapor e o pão de sopa.
O chamado “pão de sopa” não era de fato um pão, mas massa cortada em lâminas finas, mergulhada em caldo, semelhante aos futuros noodles em sopa, massas em pedaços ou bolinhos de massa.
O pão cozido a vapor, embora levasse “pão” no nome, não era no sentido estrito, mas mais parecido com um pãozinho.
A pequena princesa, que sempre apreciava o bolo de sésamo, naquela manhã comeu visivelmente menos.
Tal fato não escapou aos olhos de Qinglan, que se preocupava: — Alteza, sente-se mal?
Qinglan observava a princesa mordiscando o bolo de sésamo.
— Não, não é nada~ — disse a princesa, levantando-se. — Estou satisfeita~
Pegou o tambor de mão sobre a mesa e correu.
Naquela manhã, a princesa comera ainda menos do que de costume.
…
Se alguém viesse ao Salão Lìzhèng, teria de relatar o ocorrido.
Li Mingda não era uma princesa ordinária; era filha legítima da Imperatriz Zhangsun.
Sua posição era mais elevada que a das demais princesas.
Qinglan levantou-se, segurando o bolo de sésamo: — Alteza, comeu pouco, não quer mais?
A princesa balançou a cabeça: — Não estou com fome~
— Pode tomar um pouco de sopa de pão, há carne, que a Alteza aprecia! — Qinglan apontou para a sopa intocada sobre a mesa.
Comer aquilo no rigor do inverno era um privilégio; para o povo comum, um luxo.
— Quero carne~ — disse a princesa.
Se fosse carne, a princesa ainda comeria mais um pouco.
Qinglan pegou os palitos e alimentou a princesa com carne de cordeiro.
Na época da Grande Tang, não se consumia carne de porco; carne bovina era rara, sendo a de cordeiro a mais comum.
Mas, apenas após algumas bocadas, a princesa já não quis mais.
Li Lizhi chegou cedo ao palácio da pequena princesa, acompanhada da princesa de Chengyang.
A princesa Chengyang era a segunda filha da Imperatriz Zhangsun, com três ou quatro anos.
— Zizi! — Li Lizhi entrou de mãos dadas com a princesa Chengyang.
A pequena princesa sorriu: — É a irmã mais velha~
— Irmãzinha! — exclamou a princesa Chengyang.
A pequena princesa correu, segurando a mão da irmã: — Segunda irmã~
— Sua serva saúda as Altezas! — Qinglan apressou-se a cumprimentar.
— Está muito frio lá fora, não se pode sair. Zizi fica aborrecida no salão, deixe a irmãzinha brincar com ela.
Li Lizhi deixou a princesa Chengyang no salão.
— Sim, Alteza! — O trabalho de Qinglan dobrara: antes cuidava de uma, agora de duas princesas.
— À tarde, vou pernoitar aqui. — Li Lizhi ficaria com as duas princesas, dispensando a companhia de Qinglan.
— Sim, Alteza!
— Segunda irmã, cuide bem de Zizi. — Li Lizhi precisava verificar o estado das demais princesas.
— Irmã, vou cuidar bem de Zizi — respondeu a princesa Chengyang em tom infantil.
Desde cedo, incutiam nas crianças a ideia de cuidar dos irmãos.
— Alteza, hoje a pequena Alteza comeu muito pouco, menos do que o habitual — disse, apontando a sopa e o bolo de sésamo restantes na mesa, ambos apenas mordiscados.
Li Lizhi agachou-se diante da princesa: — Zizi, por que não come mais?
— Irmã, não estou com fome~ — O motivo era plausível; não se podia forçar a princesa a comer.
— Não está sentindo-se mal? — Li Lizhi afagou o coque da princesa.
— Não, não é nada~ — respondeu a princesa, com sinceridade.
…
A princesa Chengyang estendeu a mão e tocou a testa da irmã, imitando o gesto da Imperatriz Zhangsun e Li Lizhi quando alguém estava indisposto.
Assim, as princesas achavam que ao tocar a testa, sabiam se estavam doentes.
Com seriedade, a princesa Chengyang virou-se para Li Lizhi: — Irmã, Zizi está bem!
A cena cômica arrancou risos de Li Lizhi e Qinglan.
— Está bem, entendi — disse Li Lizhi, levantando-se e saindo do salão.
Deixou as duas princesas aos cuidados de Qinglan.
A pequena princesa puxou a irmã para junto da cabeceira, apontando: — Vamos brincar ali~
Ao ouvir isso, Qinglan tirou os sapatos das duas princesas e colocou-as sobre o leito.
A pequena princesa mergulhou sob as cobertas, seguida pela irmã.
Logo, o salão encheu-se de risos e vozes alegres.
As princesas pulavam sobre o leito, ao som do tambor de mão, num ambiente animado.
A pequena princesa suava de tanto brincar.
Aproximando-se do leito, disse com voz infantil: — Quero água~
— Espere, Alteza, sua serva vai buscar.
O salão estava frio, era preciso sair.
Como a princesa Chengyang estava ali, Qinglan saiu apressada.
Ao notar a ausência de Qinglan, ficando apenas com a irmã, a pequena princesa foi até a cabeceira, ergueu o lençol e retirou alguns grãos de pipoca.
A princesa Chengyang, curiosa, não sabia o que era.
— Zizi, o que é isso?
A pequena princesa também não sabia, mas respondeu com voz inocente: — É muito gostoso~
— Crocante~
— Doce~
— Cheiroso~
Ao falar da pipoca, a pequena princesa mostrou-se feliz.
A princesa Chengyang nunca vira, tampouco provado aquilo, mas ao levantar o lençol que cobria a pipoca, o aroma inconfundível espalhou-se.
— Que cheiro bom! — A princesa Chengyang também sentiu, engolindo em seco.
— Segunda irmã, para você~ — A pequena princesa pegou dois grãos de pipoca e entregou à irmã.
A princesa Chengyang recebeu, cheirou delicadamente, e com expressão de prazer exclamou: — Uau, que aroma delicioso.
— Sim, sim~ — A pequena princesa assentiu, — É muito gostoso~