Capítulo Primeiro: O Feiticeiro Transcendente

Hufflepuff di Dunia Marvel Sungai Liar di Luar Jeruji 2370kata 2026-03-11 06:29:59

O sol do auge do verão penetrava pelas janelas, inundando de luz a sala de aula cujas paredes ostentavam marcas de desgaste, tornando o ambiente já abafado ainda mais sufocante. O ventilador antigo, suspenso no teto, rangia sob o peso de seu esforço, acompanhando a voz monótona e entediada da professora negra no púlpito, que mais parecia uma canção de ninar nas profundezas da noite, convidando ao sono.

A maioria dos alunos, exaustos, inclinava a cabeça de maneira lânguida, lançando olhares vazios ao púlpito, esforçando-se para se manterem despertos. Outros, há muito derrotados pelo torpor, haviam sucumbido completamente, mergulhados num sono profundo.

No meio da multidão, destacava-se um jovem de origem chinesa, sem dúvida o mais notável. Com cerca de dezesseis ou dezessete anos, seus cabelos longos cor de linho capturavam os fragmentos de luz, e seu rosto, de traços afilados e nariz altivo, ainda guardava a suavidade juvenil, mas já insinuava uma maturidade selvagem.

Castigado a permanecer de pé, o jovem, mesmo apoiando-se no canto da parede e sustentando com esforço um corpo mais alto que o comum entre seus compatriotas, não conseguia ocultar o cansaço; recostado, com as pálpebras pesadas, parecia prestes a sucumbir ao sono a qualquer momento.

Ding ding ding...

Por fim, o som cristalino da campainha anunciou o término da aula, rompendo a atmosfera opressiva que dominava a sala. Como se fossem atingidos por um balde de água fria, os adolescentes abatidos despertaram instantaneamente, transformando o ambiente num festival efusivo, repleto de ruído e animação.

A professora negra, habituada àquela rotina, não demonstrou qualquer reação; murmurou um “fim de aula” e, balançando as ancas volumosas sobre saltos de sete centímetros, saiu da sala com passo vacilante.

Na vasta sala, o único elemento que permaneceu inalterado era o jovem chinês, meio recostado na parede, com o semblante exausto.

O cansaço e a sonolência, como uma maré crescente, submergiam a consciência de Gu Zhongyan, fazendo-o desejar ardentemente dormir, incapaz de resistir ao torpor nem mesmo de pé. Sem o amparo da parede, provavelmente já teria sucumbido ao sono.

Entre devaneios e semiconsciência, uma voz soou ao seu lado, provocando um lampejo efêmero de lucidez em sua mente turva.

“Sean? Sean?”

Com imenso esforço, Gu Zhongyan conseguiu abrir uma estreita fenda entre as pálpebras, que pareciam pesar toneladas.

Em seu campo de visão, um jovem branco, rosto salpicado de sardas, o observava com preocupação.

“Sean? Você está bem? A aula terminou.”

Sean? Quem era?

O sono avassalador tornava seus pensamentos lentos e nebulosos. Só após algum tempo, recordou: sim, ele havia atravessado novamente. Sean era o nome que agora lhe cabia.

O jovem diante dele era seu atual amigo, Richard Reed.

Sim, não era a primeira vez que Gu Zhongyan atravessava mundos.

Em sua vida original, Gu Zhongyan era apenas um trabalhador comum na Terra das Flores, vivendo de maneira ordinária, alimentando pequenos sonhos de vez em quando.

Até que, numa viagem inesperada, um acidente o lançou no universo de Harry Potter, transformando-o num jovem bruxo recém-chegado à casa Lufa-Lufa.

Contudo, sua chegada não se deu no início da história, mas após seu desfecho.

E, ao contrário do que imaginara, Gu Zhongyan não experimentou o entusiasmo que supunha diante do mundo mágico; ao invés disso, foi tomado por um profundo sentimento de deslocamento.

Todos já imaginaram atravessar o tempo e o espaço, alcançar o auge da vida, escapar da monotonia e das frustrações do cotidiano. Mas, diante da travessia real, aquela sensação de alienação, de ruptura com o mundo, o lembrava incessantemente: este não era o seu lugar.

Foi então que Gu Zhongyan compreendeu, de fato, por que tantos chineses expatriados, mesmo após conquistas e fama, mantinham o ardente desejo de retornar às raízes.

Desde aquele dia, voltar para casa tornou-se sua prioridade absoluta.

Passou a estudar freneticamente todo tipo de magia e artefato, na tentativa de descobrir algum método capaz de levá-lo de volta ao seu mundo.

Muitos bruxos comentavam que sua conduta não era digna de um Lufa-Lufa, mas de um Corvinal.

Gu Zhongyan, porém, acreditava ser um Lufa-Lufa nato.

Talvez, pensava ele, grande parte dos filhos da Terra das Flores fossem Lufa-Lufas por natureza: resilientes, honestos, destemidos, incansáveis, aparentemente ordinários, mas capazes de revelar uma força inimaginável.

Como Jingwei que preenche o mar, como o velho tolo que move montanhas, transformando o impossível em realidade.

Sua determinação finalmente o conduziu a uma possibilidade de romper as barreiras entre mundos.

No fim, ele triunfou — e falhou.

Despendendo tudo, conseguiu romper o véu entre os universos, mas, ao custo de todos os seus esforços, não retornou à tão almejada Terra das Flores, e sim surgiu do outro lado do oceano, em Nova York, assumindo a identidade de Sean Gu, um sino-americano criado pelo padre Langdon Abbott.

No início, acreditava ter apenas mudado de país.

Logo percebeu, contudo, que a situação era mais complexa.

Por meio das memórias do corpo que agora habitava, descobriu que os Estados Unidos eram os Estados Unidos, mas não aqueles que conhecera.

Aqui existia o gigantesco Grupo Stark, fornecedor de armamento ao Departamento de Defesa;

o Grupo Oscorp, vanguardista em tecnologias de bioregeneração;

e o Clarim Diário, com tiragem de milhões, proclamando que não havia segredo que escapasse à sua investigação.

...

Este era o mundo Marvel, povoado de super-heróis.

Tal como o mundo mágico, o universo Marvel fascinava multidões de fãs.

No entanto, comparado ao universo encantado de Harry Potter, o mundo Marvel era, sem dúvida, o menos propício para quem atravessa realidades.

Em outros mundos, bastava evitar os pontos perigosos da trama para escapar do perigo.

No Marvel, tudo era diferente: a própria América real já era alvo de piadas como “América livre, tiroteio todo dia”, imagine então um mundo repleto de super-heróis e supervilões.

Tiroteios, explosões, mortes, apocalipses — tudo era trivial.

Para os habitantes comuns de Nova York, coração do universo Marvel, a morte podia chegar a qualquer instante, de forma arbitrária e brutal.

E, pior, tais calamidades não podiam ser evitadas simplesmente fugindo de Nova York.

Porque, nas fases finais do Marvel, as catástrofes atingiam planetas, universos, até múltiplos universos, tornando impossível escapar ao destino da destruição.

Um mundo assim era um desafio colossal para qualquer um.

Mais inquietante era para Gu Zhongyan o fato de que, ao atravessar para este universo, ele perdera quase toda sua magia.

Agora, além da Occlumência, não conseguia realizar nenhum feitiço verdadeiro.

Neste mundo perigoso, perder a magia era entregar o próprio destino ao acaso; tanto para voltar para casa quanto para sobreviver, recuperar seu poder era questão crucial.

Por isso, ultimamente, dedicava-se incansavelmente a tentar restaurar sua magia, o que consumia seu vigor e o deixava tão exausto.