Capítulo 3: A Espada da Família Li

Gerbang Bintang Elang memangsa anak ayam. 6101kata 2026-03-12 14:31:32

Ao retornar ao seu posto, vindo da sala do diretor, Li Hao lançou um olhar ao calendário sobre a mesa: 12 de julho de 1730.

— Quase um ano! — murmurou em voz baixa.

Do outro lado, Chen Na, curiosa, perguntou:

— O que está fazendo há quase um ano?

Li Hao sorriu suavemente e explicou:

— Digo que estou há quase um ano na Inspetoria.

— Ah, sua memória é mesmo boa — comentou Chen Na, sem dar muita atenção ao assunto, pois quem se lembraria disso? Não era algo de grande importância.

Li Hao tampouco se estendeu. Ele se lembrava, e com absoluta clareza: em 1º de agosto de 1729, ele ingressou na Inspetoria. Dias antes, em 23 de julho, no segundo dia após o incidente, Li Hao optou por abandonar a escola e, rapidamente, entrou para a Inspetoria.

Em 22 de julho de 1729, ocorreu um caso de autoimolação na Antiga Academia de Yincheng. Zhang Yuan, estudante de segundo nível, ateou fogo em si mesmo diante do dormitório, morrendo carbonizado.

Para não prejudicar a reputação da Antiga Academia de Yincheng, e após a Inspetoria verificar que se tratara de um acidente, a notícia foi abafada; poucos sabiam que um estudante havia morrido ali.

Além disso, Zhang Yuan era órfão, sem parentes próximos, sem ninguém para clamar por justiça, de modo que o caso logo foi enterrado.

Depois, Li Hao abandonou a escola; seu mentor suspeitou que tivesse algo a ver com Zhang Yuan, pois ambos tinham um bom relacionamento.

— Zhang Yuan! — murmurou, recordando-se de que quase um ano se passara desde a morte do jovem.

A cena daquele dia tornou a se desenhar em sua mente: uma sombra sangrenta parecia agarrar a alma de Zhang Yuan, as chamas rubras consumiam seu espírito; dor, luta, colapso — emoções que ninguém mais presenciou, mas Li Hao parecia enxergar tudo com inquietante nitidez.

Quis intervir, mas, naquele instante, Zhang Yuan movia a boca incessantemente, incapaz de emitir qualquer som sob tamanha agonia, mas insistindo em movimentar os lábios. Outros poderiam pensar que era um lamento, mas Li Hao sabia: não era.

— Fuja! — Sim, era um aviso para fugir.

Li Hao conhecia Zhang Yuan profundamente! Ele queria impedir que Li Hao se aproximasse, que escapasse dali.

Zhang Yuan não morreu no dormitório; ao morrer, vestia apenas roupa íntima, o que poderia parecer ridículo, mas Li Hao jamais achou graça nisso. Ele estava prestes a dormir, mas, sob extrema dor, fugiu do dormitório, caminhando na direção do dormitório de Li Hao.

Incapaz de gritar, usou toda sua força para quebrar uma cerâmica, provocando um alarde na calada da noite, suficiente para que muitos saíssem para ver, inclusive Li Hao.

Zhang Yuan buscava socorro? Os demais pensaram que sim, mas Li Hao... não. Era um alerta, Zhang Yuan escapou, fez barulho, atraiu Li Hao, e, por fim, em silêncio, articulou “fuja”. Não era um pedido de ajuda, era uma advertência.

— Quatorze anos — murmurou Li Hao novamente.

Ele e Zhang Yuan se conheciam há catorze anos, não apenas dois de convivência escolar, como muitos supunham. Eram colegas desde a infância, almas irmãs, talvez? Ambos silenciosos, reservados; a amizade masculina não precisa ser proclamada.

Como Zhang Yuan, no momento derradeiro, usou uma força de vontade inquebrantável para escapar e transmitir uma mensagem: fuja!

O caso de autoimolação de Zhang Yuan foi silenciado, sem rastros. Poucos investigaram a fundo, inclusive Li Hao, seu amigo de confiança.

— Zhang Yuan me mandou fugir, por ter visto ou ouvido algo, ou por puro terror? Ou talvez... Zhang Yuan soubesse que o próximo alvo da sombra sanguínea era eu? — Esta era a questão que Li Hao vinha refletindo há um ano.

Não podia imaginar o sofrimento de Zhang Yuan, que, mesmo assim, alertou-o. Li Hao intuía que não era simples: talvez... o próximo alvo fosse ele mesmo!

— Seis pessoas, comigo talvez sete — pensou Li Hao. — O que há em comum entre nós?

— Dez anos de intervalo, o tempo se acelera; se contar comigo, sete, exceto eu e Zhang Yuan, os demais não têm conexão. São alvos aleatórios ou há propósito?

Li Hao massageava levemente a testa, revisando os arquivos à sua frente: era o dossiê dos seis, com pistas recolhidas ao longo do ano.

A primeira morte ocorreu há dez anos; antes disso, talvez houvesse outras, talvez não, Li Hao não sabia. Com tanto tempo, era difícil investigar.

— Gênero? Idade? Profissão? Identidade? Contatos em comum? — Ele já revisara aqueles arquivos inúmeras vezes, sem encontrar conexões evidentes. Eram pessoas completamente distintas.

— Por que a sombra sanguínea as matou? Seriam ameaça, ou havia outro propósito?

Dúvidas inumeráveis povoavam sua mente.

E, claro, havia o desejo de vingança.

Zhang Yuan morrera, ninguém se importou, mas Li Hao importou-se.

Do lado dos Guardiões Noturnos, tudo era incerto. Se não fosse pela falta de pistas ou métodos para lidar com uma ameaça invisível, Li Hao jamais depositaria esperança nos Guardiões para eliminar a sombra. Preferia ser ele mesmo a fazê-lo.

— Li Hao, olhando de novo os arquivos daqueles casos? — perguntou Chen Na, observando Li Hao abrir os documentos familiares.

Ela já vira isso muitas vezes ao longo do ano; Li Hao sempre revisava, e os papéis estavam já gastos.

Sempre que ela tentava espiar, Li Hao os fechava rapidamente. Só conseguia vislumbrar dados pessoais de algumas pessoas.

Li Hao ergueu o olhar, exibindo um sorriso puro:

— Irmã Na, apenas revisando.

— Bah! — Chen Na desdenhou. — Revisando há quase um ano? Você não é tão honesto assim, rapaz.

— Está revisando há tanto tempo, Li Hao, o que quer encontrar? Há tantos inspetores experientes aqui, por que não pergunta? Você, novato, vai encontrar algo? Quer que eu veja? Talvez eu possa dar um conselho, não se preocupe, não vou divulgar.

Chen Na sorriu:

— Então, deixa eu ver?

De fato, ela estava curiosa! Li Hao sempre evitou que alguém soubesse da investigação, temendo chamar a atenção da sombra; mas sem resultados, após relatar o caso ao Wang Jie, não via mal em mostrar a Chen Na.

Após breve reflexão, Li Hao concordou:

— Veja, mas não envolva outros.

Não queria que muitos soubessem de sua investigação. Chen Na, também novata, não era tão sensível; se outros vissem os arquivos, poderiam associar aos casos antigos e perceber a investigação do caso de autoimolação.

Mostrar a Chen Na era quase um desabafo: Li Hao não tinha mais esperança, apenas o vazio prolongado o inquietava.

— Fique tranquila! — Chen Na radiante, finalmente com acesso ao segredo de Li Hao, apressou-se a pegar os arquivos e a folheá-los.

Após breve leitura, Chen Na comentou:

— Li Hao, afinal, o que quer encontrar nestes arquivos? Há tanta coisa, até pequenos eventos estão registrados, parecem memórias. O que busca, afinal?

Li Hao ponderou e respondeu:

— Um ponto em comum! Algo que une os seis.

Chen Na ficou sem palavras.

Examinou cuidadosamente: seis pessoas, idades diversas, profissões, identidades distintas, homens e mulheres, círculos diferentes.

Os mortos mais antigos há dez anos, o mais recente há um ano.

Onde estaria o ponto em comum? Li Hao passou um ano nisso, que ociosidade...

Ao ver o arquivo de Zhang Yuan, aluno da Antiga Academia de Yincheng, Chen Na percebeu que o propósito principal de Li Hao era esse caso.

— Zhang Yuan, morto em 22 de julho de 1729... não foi muito antes da sua saída da escola, certo? — Chen Na, associando a saída de Li Hao ao caso, começou a compreender.

Um aluno promissor abandonando a escola, algo incompreensível para muitos; ao ver o arquivo, Chen Na intuiu um motivo.

Diante disso, deixou de ver os arquivos como brincadeira e ficou mais séria.

Li Hao suspeitava que Zhang Yuan fora assassinado? Seis casos, todos homicídios? Série de crimes?

[...]

Enquanto Chen Na analisava com atenção, Li Hao aguardava, sem obter retorno, mas não se importava muito, voltando a pensar nos próximos passos.

Agora, o caso estava nas mãos da Inspetoria, que deveria investigar, mas Li Hao não tinha grandes expectativas.

A menos que os Guardiões Noturnos se envolvessem logo!

— Se o próximo alvo sou eu, talvez em breve enfrentarei a sombra sanguínea. A figura rubra que vislumbrei dias atrás, seria a sombra? Está me procurando? Ou já me encontrou, mas hesita por causa de minha posição?

A Inspetoria, afinal, é órgão de autoridade; a morte de um estudante pode não repercutir muito, mesmo sendo da Antiga Academia.

Mas se um inspetor de terceiro nível morrer, a Inspetoria certamente investigará a fundo, mais grave que a morte de um aluno.

— Segundo minhas pesquisas, a sombra aparece com restrições de tempo, não permanece por muito, talvez só em momentos específicos.

— Os mortos apresentam certo ponto em comum, ainda que indefinido.

Ao longo do ano, Li Hao não ficou de mãos vazias.

Ao menos descobriu algo: no dia da morte de Zhang Yuan, e dos outros seis, o tempo estava ruim.

Tempestades, relâmpagos, chuva...

Poucos dão atenção ao clima, Li Hao só passou a observar por falta de outros indícios.

Na noite da morte de Zhang Yuan, uma chuva fina caía, ele lembrava claramente.

— Surge em dias de chuva, ou quando o tempo está ruim — Li Hao anotava em papel, logo o despedaçou, mergulhando em reflexão.

Enquanto pensava, Chen Na exclamou baixinho:

— Descobri algo!

Li Hao assustou-se, ergueu rapidamente o olhar: descobriu? Como seria possível? Não tinha expectativas, e Chen Na mal começara a ler, só podia estar brincando.

Li Hao franziu a testa, mas logo relaxou, sorrindo:

— Irmã Na, o que descobriu?

Chen Na notou sua expressão, sentiu-se constrangida, lembrando-se de que Li Hao era sério, não era hora de brincadeiras, então respondeu:

— Bem... nem terminei de ler, há muita informação.

Li Hao permaneceu impassível, já imaginava.

Não houve decepção, pois não esperava nada.

Mas, logo depois, Chen Na disse:

— Não terminei, mas... parece haver alguma ligação, só não sei ao certo.

Ergueu o papel ao lado:

— Tenho o hábito de anotar enquanto leio; escrevi os nomes dos envolvidos.

Li Hao olhou, assentindo.

Seis nomes. Ele os conhecia de cor. O que poderia descobrir ali? Não eram nomes iguais, nem sobrenomes, uns de dois caracteres, outros de três, nada em comum.

Vendo o interesse de Li Hao, Chen Na prosseguiu rapidamente:

— Zhou Qing, Hong Jiao, Wang Haoming, Liu Yunsheng, Zhao Shihao, Zhang Yuan. São os nomes, certo?

Li Hao assentiu.

Chen Na olhou novamente para o papel, e hesitou, receosa de que Li Hao julgasse que ela estava brincando.

Sem jeito, tossiu:

— Esquece, talvez eu esteja errada, faltam dois nomes.

— O quê? — Li Hao estranhou. — Dois nomes?

Chen Na ficou ainda mais constrangida:

— Se houvesse um Zheng e um Li, aí estaria certo, mas não há... Enfim, só imaginei, não leve a sério.

Ela queria encerrar, estava envergonhada.

Li Hao, entretanto, teve um choque interior.

Por que faltariam dois nomes?

Li... ele mesmo era Li! Faltava um Zheng. Ele só podia investigar casos de dez anos atrás, pois os mais antigos tinham arquivos destruídos; acidentes demais, arquivos demais, o arquivo central não preserva tudo.

Agora, Li Hao tremia por dentro, mas manteve o semblante sereno, sorrindo:

— Irmã Na, fale à vontade, não há problema. Por que acha que faltam dois sobrenomes?

Chen Na olhou para Li Hao, curiosa:

— Você não é de Yincheng?

— Sou, sim.

— Então... — Chen Na pensou, assentiu: — Entendi. Em sua família não há idosos, certo?

— Meus avós morreram cedo — Li Hao ficou mais curioso. Que relação haveria com idosos?

Chen Na, vendo o interesse, já sem constrangimento, explicou:

— Se tivesse idosos em casa, saberia que alguns gostam de contar histórias locais. Minha avó, quando eu era pequena, adorava cantar canções do folclore de Yincheng.

Ela recordou:

— Lembro de uma cantiga popular que dizia...

Chen Na, imitando a avó, limpou a garganta e cantou baixinho:

— A espada da família Li, a faca dos Zhang, o punho dos Zhao, a perna dos Liu... O jovem mestre dos Zheng atrapalha tudo!

Cantou um trecho, e riu constrangida:

— Cantando em mandarim não soa bem, mas no dialeto local é bonito; são peças teatrais antigas, quem não conhece acha estranho.

Nesse instante, Li Hao teve um relâmpago no olhar.

Uma canção popular!

A espada da família Li, a faca dos Zhang...

Na canção, há oito sobrenomes: Li, Zhang, Zhao, Liu, Wang, Hong, Zhou, Zheng!

Li Hao arrancou o papel das mãos de Chen Na, sem cerimônia, fixando-se no primeiro nome: Zhou Qing.

Era o morto de dez anos atrás, o primeiro caso de autoimolação que Li Hao pesquisou.

Depois, Hong Jiao, vendedora, Wang Haoming...

Se o primeiro morto não fosse Zhou Qing, mas um Zheng, Zhou Qing seria o segundo, Hong Jiao o terceiro, Wang Haoming o quarto...

Na canção popular de Yincheng, os oito sobrenomes, invertendo a ordem, coincidem com a ordem das mortes.

O último, Zhang Yuan, corresponde à faca dos Zhang.

Isso significa... ainda falta alguém!

Mais uma pessoa morrerá, de sobrenome Li, o primeiro na canção: a espada da família Li!

Li Hao empalideceu.

Olhou para Chen Na, incapaz de esconder o tremor e a excitação, a voz rouca:

— Esta canção... quando começou a ser cantada? Quem a criou...

Chen Na assustou-se com seu olhar, mas logo se acalmou:

— Calma, Li Hao; muitos idosos conhecem, jovens nem tanto, por isso você não sabe. Se quiser, podemos investigar juntos, não precisa se apressar.

Li Hao respirou fundo, domando o ímpeto.

Não podia se precipitar!

Jamais imaginara que mostrar o arquivo a Chen Na resultaria numa pista tão crucial; nunca ouvira falar dessa canção, ninguém a cantava, provavelmente há muitos anos não era popular.

Com a ascensão do mandarim, essas canções rurais foram sepultadas junto com a geração mais velha, caindo em esquecimento.

Os avós de Li Hao morreram cedo, ele nunca os conheceu, ninguém cantou para ele.

— Mantenha a calma! — disse a si mesmo. O importante era a pista, não a pressa.

Agora, precisava confirmar se o primeiro morto tinha sobrenome Zheng.

Os arquivos de dez anos atrás foram destruídos, mas há outros meios de buscar, e ele não precisa de detalhes, basta saber se entre quinze e dez anos atrás houve um Zheng morto por autoimolação.

Neste momento, Li Hao estava agitado e assustado.

Se a coincidência for real, o próximo... será ele!

Zhang Yuan certamente viu ou ouviu algo, por isso o mandou fugir.

— A espada da família Li...

— A espada da família Li! — pensou Li Hao, arregalando os olhos. Família Li... possui uma espada!

PS: Horário de atualizações: por volta das 16h e das 22h. Durante o período de novos lançamentos, duas atualizações por dia; não há como fugir, esse período dura cerca de 40 dias, precisamos concluir. Quando o livro for lançado, avaliamos a possibilidade de atualizações extra. Durante a fase inicial, o autor sempre escreve capítulos mais longos; este tem cinco mil caracteres.