Capítulo 1: O Despertar da Memória

Seluruh umat manusia telah mengingat kembali ingatan mereka, kecuali aku. Kabut dan bayangan melayang di angkasa. 3094kata 2026-03-11 06:34:09

A professora Liu Yuyu, responsável pela turma e também docente de Matemática, subiu ao púlpito segurando uma pilha de provas, provocando um murmúrio repleto de relutância entre os alunos.

Antes mesmo que pudessem protestar, a professora Liu declarou do alto do estrado:

— A Secretaria de Educação enviou uma ordem para que preencham este questionário. Assim que terminarem, podem ir para casa.

— Incluindo hoje, nos dias 23, 24 e 25, teremos folga.

A contrariedade transformou-se instantaneamente em agitação; todos pensavam em como aproveitar a inesperada liberdade, talvez sair enquanto os pais estavam ausentes, já que sequer haviam concluído as aulas da manhã e não havia tarefa a cumprir.

Uma explosão de júbilo irrompeu, incendiando o ambiente.

Estavam eufóricos!

Mas logo a professora acrescentou:

— Entrarei em contato individualmente com os responsáveis de cada um, para confirmar se vocês realmente foram para casa.

Uma chuva de água fria caiu sobre todos, extinguindo o entusiasmo num piscar de olhos.

Entretanto, ao receberem os questionários, a sala voltou a se agitar, iniciando-se discussões animadas:

— Caramba, é uma pesquisa sobre sonhos!

— Finalmente começaram a dar importância a isso, eu já dizia, estamos vivendo uma era extraordinária!

— Será que as engrenagens do destino começaram realmente a girar?

As conversas fervilhavam, impregnadas de delírios juvenis e frases grandiloquentes.

Jiang Chuan, ao receber o questionário, ergueu as sobrancelhas.

Mesmo não sendo alguém atento às notícias, ele sabia do que se tratava.

Além do bombardeio incessante de informações pela internet, todos à sua volta comentavam diariamente sobre o mesmo tema—

"Sonhos", "memórias de vidas passadas".

Sonhos com cenários jamais vistos, visões de imagens impensáveis.

A origem desta história remonta a um mês atrás.

Jiang Chuan recordava de uma notícia que viralizou: uma criança de quatro anos acordou certa manhã dizendo que sua casa ancestral era numa aldeia da província de Chuan. Os pais, inicialmente, não deram importância, mas à medida que o menino, dia após dia, detalhava suas memórias de vidas passadas, começaram a achar aquilo inquietante. Decidiram, então, levar o filho numa viagem de três mil li até Chuan, com o intuito de dissipar sua obsessão e permitir-lhe crescer normalmente. Porém, para surpresa deles, não apenas encontraram a aldeia, como também conhecidos que a criança jamais poderia ter visto.

Jiang Chuan ainda recordava o vídeo em que o menino, ao chamar uma idosa octogenária de “mãe”, fez com que o semblante da mãe verdadeira ficasse terrivelmente constrangido.

A partir daí, tudo saiu do controle.

Cada vez mais pessoas passaram a sonhar com suas “vidas passadas”, e os relatos tornaram-se cada vez mais extravagantes.

Havia quem dissesse que lutava contra criaturas primordiais...

Quem afirmasse forjar máquinas na lua...

Quem descrevesse batalhas celestiais, com embarcações mágicas flutuando pelo céu...

Quem narrasse cataclismos do final do século passado...

E até quem se declarasse general sob as ordens do Primeiro Imperador, combatendo demônios alienígenas, tombando heroicamente no campo de batalha.

Esses sonhos já eram absurdos, mas mais surpreendente era o número de pessoas que, nos posts, os legitimavam.

Procuravam antigos companheiros de batalha, compatriotas de vidas passadas...

Com o passar do tempo, parecia que todos haviam tido sonhos semelhantes.

Não era de se admirar que o assunto tivesse tomado proporções tão estrondosas.

Mas, apesar de tudo, Jiang Chuan considerava aquilo uma mera farsa.

Havia duas razões para tal convicção.

Primeira: “De tanto pensar durante o dia, sonha-se à noite”, quanto mais se fala na questão, mais gente sonha com ela.

Segunda: ele jamais tivera um sonho parecido.

Jiang Chuan acreditava que certamente existiam pessoas como ele, que não se envolviam nessa farsa.

Embora ainda não tivesse encontrado alguém igual a si, julgava ser apenas um caso de “viés do sobrevivente”.

Contudo, a certeza que lhe era tão firme vacilou diante daquele questionário.

“...”

“Um documento vindo da Secretaria de Educação?”

Sentiu-se perplexo, como se, por fim, houvesse algo realmente estranho.

“Chegou a esse ponto?”

“Tão exagerado assim?”

Ao seu lado, o colega e amigo inseparável Shen Jing perguntou:

— Chuan, e aí? Como vai preencher?

— Você nunca teve esses sonhos, não é? Como vai responder?

Jiang Chuan deixou de erguer o questionário, pousando-o sobre a mesa e pegando a caneta:

— Como mais poderia?...

— Vou preencher com honestidade.

— Com um país de um bilhão e quatrocentos milhões de habitantes, não é possível que todos tenham tido esse tipo de sonho.

Shen Jing concordou com um aceno:

— E depois da aula, o que vai fazer?

— Vai lá em casa?

Jiang Chuan balançou a cabeça:

— Passei a madrugada jogando partidas ranqueadas, preciso recuperar o sono.

Os olhos de Shen Jing brilharam com admiração e inveja.

— Você é incrível, Chuan! Cuida do meu perfil também, por favor.

Jiang Chuan respondeu:

— Um ponto, um yuan.

Shen Jing suplicou:

— Ah, Chuan, você é tão bom nisso, subir de nível pra mim é moleza!

Jiang Chuan retrucou:

— E como vou comer no mês que vem?

Shen Jing ficou sem palavras, logo compreendendo.

Sabia que os pais de Jiang Chuan haviam falecido cedo; ele vivia só, com bons resultados acadêmicos, mas custeava as despesas escolares e de vida com o dinheiro que ganhava teclando e jogando, ponto a ponto, estrela a estrela.

Jiang Chuan, porém, acrescentou:

— Mas se você tiver tempo, tenho um pedido que pode dividir contigo.

Shen Jing bateu na mesa três vezes, entusiasmado:

— Chuan, você é demais! Meus pais não estão em casa hoje...

— Chuan, abençoado, que tua vida seja longa como o céu, que cada noite te seja nupcial, que tenhas sogras por todo o país.

— Hoje, subir para mestre deixo por tua conta.

Jiang Chuan bocejou e disse:

— Já terminei.

— Vamos juntos?

Shen Jing se sobressaltou e, apressado, abaixou-se para continuar a preencher o questionário, murmurando:

— Espera por mim!

Shen Jing escrevia rápido; na seção dos sonhos, Jiang Chuan viu que ele anotava: “No sonho, estudava astrologia e o Livro das Mutações, e encontrei Li Chunqian.”

Jiang Chuan riu:

— Li Chunqian?

— Por que não invoca a espada?

Shen Jing apressou-se em apagar o “qian” e substituir por “feng”.

— No sonho, encontrei Li Chunfeng.

...

...

A professora Liu Yuyu, após recolher os questionários, liberou a turma.

Quando os alunos se foram, ela ainda não podia deixar o trabalho.

— Professora Liu, seu grupo também já entregou tudo? Não sei por que estamos fazendo isso.

— Pois é... Para quê serve? Vai contar pontos no vestibular? Ainda deram folga aos alunos, logo começam o último ano, será que vão conseguir se concentrar?

Enquanto falava, Liu Yuyu abriu o computador e começou a baixar o software indicado no regulamento do WeChat.

No escritório, outros professores também comentavam:

— Pesquisa sobre sonhos... Nunca houve algo assim.

— O mais absurdo é ter de registrar e enviar tudo.

— Falando em sonhos, ontem sonhei que abanava o leque para o Imperador Tang Xuanzong.

Alguns colegas exclamaram surpresos:

— Nossa, você era uma concubina na vida passada?

— Concubina nada, eu era dama de corte.

Um professor suspirou:

— Concubina seria melhor...

Todos pararam o que faziam, olhos brilhando de curiosidade:

— Conta mais!

Mas o colega recusou-se a entrar em detalhes.

O som das teclas preenchia o ambiente; enquanto digitavam os arquivos dos alunos, os professores compartilhavam relatos de sonhos mais peculiares.

— No meu grupo, um estudante disse que era a estrela do bordel na vida passada.

— Já um aqui relatou ter visto um dragão no Everest... Mas era oferenda ao dragão.

— Tem um interessante, diz ter ajudado a esposa de Da Yu a dar à luz.

Rindo, Liu Yuyu digitava, sentindo menos repulsa ao trabalho daquele dia.

Ao terminar de inserir “No sonho, estudava astrologia e o Livro das Mutações, e encontrei Li Chunfeng”, virou a página e franziu o cenho.

— Professora Song, no seu grupo há algum aluno que nunca teve esse tipo de sonho?

A professora Song, na mesa ao lado, balançou a cabeça:

— Não, todos anotaram alguma coisa, cada qual com seu relato...

Os outros professores acharam estranho:

— Professora Liu, há alguém no seu grupo?

— Ainda existe quem não tenha tido esse tipo de sonho? Quem é esse aluno?

Liu Yuyu respondeu:

— Jiang Chuan.

Um professor ao lado se surpreendeu:

— Aquele que tem boas notas e dorme em todas as aulas?

Logo alguém comentou:

— Faz sentido, esse menino passa a noite acordado e dorme na escola.

— Deve ser porque o sono não é profundo, aí não sonha, né?