Capítulo Sete: Como a Equipe do Programa Irá Organizar
Observando o carro de aplicativo desaparecer pouco a pouco no horizonte, Sang Qiwen lembrou-se de súbito de um detalhe: “Falta apenas um mês para o aniversário da nossa irmãzinha.”
“Já é hora de presenteá-la com um carro.”
As sobrancelhas de Sang Qiwu franziram-se levemente. “Se você lhe der um carro, o que me resta para oferecer?”
“O apartamento onde ela mora pertence à empresa; então darei a ela uma casa.” Sang Qibo ajeitou os óculos que escorregavam pelo nariz.
Sang Qiwu arregalou os olhos, surpreso. “Se vocês, o irmão mais velho e o terceiro, derem casa e carro, o que restará para papai, mamãe e para mim?”
“Isso é contigo.” Sang Qiwen lançou-lhe um olhar de soslaio. “Tenho outros compromissos, vou indo.”
Dito isso, virou-se em direção à garagem, sem a mínima intenção de partir junto com os irmãos.
Sang Qibo acompanhou-o até a garagem. “Irmão, meu carro está na oficina. Leva-me contigo?”
“Claro,” Sang Qiwen aquiesceu.
Sang Qiwu, cabisbaixo, voltou para dentro de casa. Assim que entrou, anunciou em alto e bom som: “Papai, mamãe, o irmão mais velho e o terceiro disseram que vão dar carro e casa para a nossa irmãzinha no mês que vem. O que vocês vão dar para ela?”
Ao ouvir isso, Sang Zheng se irritou: “Esses dois moleques, desde quando carro e casa são presentes que cabem a eles oferecer?”
“Mas não é ótimo assim?” A mãe, sem se saber de onde, apareceu com um prato de cerejas — não havia delas na geladeira.
Sang Qiwu, atônito, ia perguntar de onde vieram, mas logo se recordou do irmão mais velho mencionando que a irmã havia comprado frutas naquela noite, ainda que não houvesse sinal delas na geladeira da cozinha!
“Papai, mamãe, vocês são mesmo injustos.” Sang Qiwu sentou-se ao lado deles. “As frutas que a irmã comprou, vocês esconderam!”
Proibir-lhes o acesso era, realmente, um ultraje!
A mãe apenas deu um muxoxo e lançou um olhar ao “culpado”. “Pergunte ao seu pai.”
“...” Sang Zheng desviou o rosto, fingindo não ouvir nada.
Sang Qiwu protestou em silêncio.
“Chega. Já que o mais velho e o terceiro vão dar casa e carro, nós transferiremos para Jiajia o aluguel daqueles prédios na Praça Haixin.” Para cada um dos filhos, ao atingirem a maioridade, davam um prédio para que recebessem o aluguel como mesada. Agora, crescidos e com suas próprias carreiras, os poucos prédios restantes seriam repartidos, transferindo tudo para os nomes dos filhos.
Assim, o casal poderia cuidar apenas do próprio mercado, despreocupado.
“E eu?” Sang Qiwu, após comer duas cerejas, apontou para si, desnorteado. No fim das contas, só ele permanecia sem saber o que presentear à irmãzinha.
——
Quando Qi Bin chegou ao Hotel Baishan, já eram dez horas da noite. O clima no reservado atingia o auge: sobre a mesa, uma profusão de bebidas e cigarros de luxo; os aromas misturados tornavam impossível discernir se o ambiente era agradável ou repulsivo.
“Irmão Lu chegará em breve. Têm certeza que não querem mudar de lugar?” Qi Bin lançou um olhar ao redor. O Hotel Baishan era o clube mais famoso da Cidade A, e as anfitriãs dali, igualmente célebres.
Naquele instante, cada um dos presentes tinha uma mulher ao lado, abraçada; a névoa do tabaco pairava densa, as mãos vagueavam sem rumo.
Wei Heng, sem pressa, apagou o cigarro, fez sinal para que a anfitriã sentada em seu colo se levantasse, tomou o copo de uísque e sorveu um gole antes de falar, pausadamente: “Para que a pressa?”
“Ainda não é hora, não é?”
Lu Wenchuan, herdeiro do Grupo Lu, assumira os negócios da família logo após a faculdade. Em dois anos, com mão de ferro, subjulgou os anciãos da empresa, tornando-se uma figura intocável e temida no círculo social.
Mas sempre há quem deseje desafiar tal poder — como Wei Heng.
“O cheiro de cigarro não se dissipa facilmente.” Qi Bin sentou-se num canto; logo uma anfitriã tentou servi-lo com bebida e se insinuar, mas ele recusou.
“Minha irmã está em casa hoje.” Qi Bin sorriu e, lançando um olhar a Wei Heng, perguntou: “Como conseguiu convencer o irmão Lu a participar daquele reality show de namoro?”
A curiosidade era genuína; afinal, nos últimos anos, Lu Wenchuan não tivera mulher alguma por perto, tampouco demonstrava interesse — como, então, poderia aceitar entrar num programa desses por causa de uma aposta?
Havia, certamente, algo a mais que ele ignorava.
“Adivinhe.” Wei Heng semicerrava os olhos, sorrindo enigmaticamente.
Qi Bin: “...”
“Se eu fosse capaz de adivinhar, não te perguntaria, ora.”
Três batidas secas à porta interromperam a conversa. Um funcionário entrou, respeitoso: “O senhor Lu está no reservado ao lado.”
“Que aborrecido.” Wei Heng já esperava por isso — Lu Wenchuan jamais viria a este reservado, limitando-se a permitir a presença deles sem intervir.
Qi Bin levantou-se, observou em volta: alguns já estavam bêbados, mas ainda lúcidos o bastante para continuar se divertindo com as mulheres.
Franziu a testa e desviou o olhar. “Se for sempre nesse tipo de lugar, não venho mais.”
“Oh?” Wei Heng arqueou a sobrancelha. “Resolveu tomar juízo?”
“Nem pense.” Qi Bin saiu à frente, deixando para trás uma silhueta resoluta e palavras carregadas de desdém. “Acho um ambiente de má sorte.”
Wei Heng deu de ombros. “Muito bem, da próxima vez não os deixo vir.”
“Mas, convenhamos, a diversão é maior com mais gente.”
Enquanto conversavam, já alcançavam o reservado ao lado.
Lu Wenchuan estava só, sentado no sofá; sobre a mesa, apenas água — nem álcool, nem chá. Um tédio absoluto.
“Preparando-se para o reality de namoro, cultivando corpo e alma?” Wei Heng arqueou a sobrancelha, sentando-se num canto para não ser acusado de poluir o ar com cheiro de tabaco e álcool, alterando o giro da Terra.
“A noite já vai avançada, evito álcool e chá para não comprometer o sono,” respondeu Lu Wenchuan laconicamente. Lançou um olhar a Qi Bin, que se sentara ao lado; o aroma de tabaco e álcool era mais tênue, por isso não disse nada, mas ainda assim, não resistiu a uma advertência: “O fumo passivo é mais nocivo que o ativo.”
Qi Bin tocou o nariz, um tanto embaraçado. “Irmão Lu, você realmente leva a sério o cuidado com a saúde.”
Palavras que, em geral, soariam na boca de um tio idoso, jamais de alguém como Lu Wenchuan, que mal completara vinte e quatro anos.
Qi Bin não disse mais nada, mas sua expressão o traía por completo.
O semblante de Lu Wenchuan anuviou-se; estava prestes a dizer algo quando Wei Heng não conteve o riso: “Qi Bin, se tens tanto dom para palavras, fale mais.”
“Foi só uma brincadeira, não leve a mal.” Qi Bin, notando o incômodo de Lu Wenchuan, apressou-se em mudar de assunto: “Irmão Lu, por que aceitou participar do reality de namoro? Antes de sair, minha irmã até me alertou que entre as participantes há uma atriz com quem não se deve envolver, pois traria má sorte.”
O tema mudou; ninguém mais prestou atenção à questão anterior, a atenção voltou-se para a tal atriz.
“Quem?” Wei Heng mostrou-se curioso; não dera importância ao assunto.
Sob a luz, o olhar de Lu Wenchuan escureceu, mas permaneceu calado, aguardando que Qi Bin prosseguisse.
“É Sang Yijia.” Qi Bin resumiu o que ouvira de Qi Yue. “Disseram que ela sempre gostou de Shen Jin, mas ele não corresponde, e ainda assim ela insiste em persegui-lo.”
“Parece que ela entrou no reality justamente para tentar um romance com Shen Jin.” Qi Bin deu de ombros e acrescentou: “Não sei como a produção planeja conduzir a situação.”