07 Os Três Soberanos e os Cinco Imperadores!!
Ao ouvir o relato da entidade imortal, Chen Yu sentiu-se como se retornasse àqueles anos sangrentos de trevas e caos, e compreendeu, então, como os Três Soberanos, em meio a um mundo inteiro de inimigos, avançaram passo a passo sobre os cadáveres dos mais poderosos de inúmeras raças. Conduziram a raça humana ao ápice, de tal maneira que nenhuma outra raça ousava mais subestimá-la!
E, já na era média, os Cinco Imperadores emergiram de súbito, aniquilando de uma só vez os mais formidáveis dentre as grandes raças, forçando até mesmo algumas tribos outrora poderosas à beira da extinção, consolidando assim a supremacia absoluta da humanidade sobre todas as demais raças. Os Cinco Imperadores, todavia, por isso mesmo, tombaram um a um; ainda assim, nenhuma raça ousou jamais cobiçar a humanidade novamente, e algumas desapareceram por dezenas de milhões de anos, temerosas da fama indelével dos Três Soberanos e dos Cinco Imperadores — cuja reputação, até hoje, não se atreve ninguém a desafiar!
Aquele fora o melhor dos tempos, e também o pior dos tempos. A humanidade, outrora o mais frágil dos povos, sob a liderança dos Três Soberanos e dos Cinco Imperadores, ascendeu ao trono supremo das raças. Mas a que preço? Quantos heróis banharam os céus com seu sangue? Quantos espíritos valorosos tiveram um fim silencioso? E quantos poderosos seres de outras raças tombaram ante os mais fortes dos humanos?
A entidade imortal, com voz suave, revelou a Chen Yu aquele passado sepultado há bilhões de anos. E Chen Yu sentiu todo o seu sangue arder, sua mente mergulhada em vertigem. Até então, conhecia apenas, pelos registros históricos, os feitos gloriosos dos Três Soberanos e dos Cinco Imperadores, mas não imaginava quão grandiosa e trágica fora a trajetória dessa epopeia.
Passado muito tempo, Chen Yu exalou lentamente um suspiro, fitando o semblante indistinto da entidade imortal, e indagou: “Se é assim, a humanidade já ocupa o trono supremo entre todas as raças — por que motivo há de se preocupar? Ainda que os antigos povos retornem, não faltam hoje grandes guerreiros humanos! Na Antiguidade, havia os Três Soberanos; na Idade Média, os invencíveis; e agora, há os Dez Santos, cujos nomes ressoam por todo o mundo!”
A entidade imortal, ouvindo as palavras de Chen Yu, irrompeu subitamente em gargalhada: “Dez Santos? Ainda que eu tenha dormido por dezenas de milhões de anos, sei bem que tais chamados Dez Santos jamais se igualariam aos Três Soberanos. E nem falo dos Soberanos — se apenas um dos Cinco Imperadores retornasse à vida, com um mero pensamento poderia aniquilar milhares desses pretensos ‘Dez Santos’. Aqueles povos que estão prestes a ressurgir, após milhões de anos de preparação, talvez não possam engendrar um ser supremo como os Três Soberanos, acima do próprio ciclo do renascimento, mas, se unirem forças, será que a humanidade poderá resistir-lhes? Eis outra questão!”
“Como pode ser? Os Dez Santos são célebres há milênios, cada qual com poderes insondáveis, capazes de abalar céus e terra com um simples gesto...” O que a entidade dizia subvertia por completo o entendimento de Chen Yu — afinal, os Dez Santos eram considerados os mais poderosos de toda a humanidade!
“Chamados de ‘Santos’, ousam dizer-se supremos? Na Antiguidade, um Santo não passava de um senhor feudal. Entre todas as raças, cada uma possuía ao menos um Santo. Então, diga-me: é realmente tão extraordinário atingir esse nível?” A voz da entidade imortal soou, destituída de qualquer emoção.
“Cada raça tinha um Santo?” O rosto de Chen Yu foi tomado por um espanto absoluto. Naquela remota era, haveria, então, Santos aos montes? Ainda assim, indagou, perplexo: “Se assim era, por que hoje não surgem mais poderosos além do nível de Santo?”
“Isso remonta à Idade Média...”, murmurou a entidade, como se perdida em reminiscências. “Os Três Soberanos e os Cinco Imperadores só se tornaram os dominadores das raças porque ingressaram no Domínio Imortal, onde obtiveram oportunidades supremas e, por fim, transcenderam o ciclo do renascimento, tornando-se os verdadeiros supremos!”
“Domínio Imortal?” A boca de Chen Yu se escancarou de surpresa. Nem os registros históricos, nem os rumores populares, jamais haviam afirmado a existência de imortais no mundo; ninguém sabia o que era, de fato, um imortal, nem mesmo se existiam realmente.
“Para ingressar no Domínio Imortal, é preciso possuir o cristal que tens em mãos — ele é a chave que abre os portões desse domínio. Eu sou o espírito primordial que habita essa chave, por isso me denomino ‘Entidade Imortal’.” A entidade prosseguiu, alheia ao espanto de Chen Yu: “Após a queda dos Cinco Imperadores, na Idade Média, alguns poderosos humanos tentaram, munidos do cristal, adentrar o Domínio Imortal e trilhar o caminho da transcendência. Mas, naquele tempo, povos ocultos enviaram seus campeões para tomar o cristal — pois sabiam que, com ele, poderiam abrir o acesso ao Domínio Imortal e tornar-se supremos. No tumulto da disputa, porém, ninguém obteve êxito; pelo contrário, o cristal foi partido em duas metades, dispersando-se pelos confins do mundo.”
“O cristal é a chave para o Domínio Imortal?” O olhar de Chen Yu era de puro assombro. Jamais imaginara que o colar de cristal deixado por sua mãe tivesse origem tão grandiosa. Se tal segredo se tornasse público, até mesmo os Dez Santos disputariam por ele...
“O que tens é apenas metade da chave. Para abrir o caminho ao Domínio Imortal, é necessário uni-la à outra metade. Por isso, perdi grande parte da minha memória — talvez, apenas quando o cristal for reunido, poderei despertar por completo”, esclareceu a entidade.
Assim, Chen Yu e a entidade imortal mergulharam num silêncio profundo. Ambos guardaram as palavras para si, e o imenso espaço ao redor tornou-se sepulcral. Só após longo tempo, Chen Yu ergueu a cabeça, a voz rouca soando: “Pelo que dizes, a humanidade está de fato em perigo. Se as demais raças retornarem, nossa supremacia será ameaçada. Mas, e daí? Agora, com minha energia vital destruída, não sou capaz de assumir tamanha responsabilidade.”
Os olhos da entidade imortal de súbito lançaram dois feixes de luz branca, vasculhando o corpo de Chen Yu como que em exame minucioso. Após algum tempo, a entidade exclamou, desapontada: “Aptidão medíocre, sem qualquer traço de energia vital — será que até os céus abandonaram a humanidade?”
Chen Yu permaneceu em silêncio. Antes, talvez aceitasse com alegria tal incumbência. Mas agora? Melhor nem pensar. Balançou a cabeça e respondeu: “Ainda que meu espírito tenha se curado, meu corpo já não consegue condensar energia vital — sou um inútil.”
A entidade acenou, dizendo: “Tua aptidão é comum, mas teu espírito excede o dos mortais. Não fosse ele ferido, despertando assim o poder do cristal, eu jamais teria despertado. Será que tudo estava predestinado?”
Chen Yu sorriu amargamente, prestes a falar, quando a entidade imortal, tomada por súbita excitação, pareceu recordar-se de algo. Sua forma esmaecida ganhou consistência, e ela murmurava repetidas vezes: “Espírito poderoso... reconstrução do corpo...”
Parecia haver encontrado uma solução, e, ansiosa, declarou: “Recordo-me de um método capaz de transformar tua constituição, tornando-te o detentor do mais poderoso corpo divino que já existiu!”
Ao ouvir tais palavras, o coração de Chen Yu disparou, uma emoção incontrolável inundou-lhe o peito, a pulsação acelerando de súbito. Indagou então: “Tens mesmo um método para resolver este problema?!”
A entidade confirmou com um aceno, mas logo, tomada por certa melancolia, explicou: “Desde a Idade Média, não sei por quê, o mundo mudou — a energia espiritual tornou-se extremamente escassa. Essa constituição, se surgisse na Antiguidade, brilharia com esplendor. O Soberano Supremo Taihao, um dos Três Soberanos, possuía tal corpo. Mas hoje, temo que o próprio mundo rejeite tal constituição. Para obter êxito, será preciso dez vezes mais esforço, e percebo vagamente que o mundo já começou a repelir tal poder. No futuro, talvez nem seja possível prosseguir no cultivo.”
Ao ouvir isso, Chen Yu sentiu-se como se tivesse sido banhado por água gelada; a mente, antes tomada de esperança, esfriou-se de súbito. Perguntou: “Por que o mundo rejeita essa constituição? Será ela tão extraordinária que até mesmo os céus se enchem de inveja?”
A entidade imortal sorriu suavemente: “Tal constituição possui maravilhas infinitas. Embora o cultivo seja mais árduo que para os demais, a energia contida no corpo é várias vezes superior à de outros do mesmo nível. O Soberano Taihao, graças a esse corpo divino, combateu, sozinho, três campeões de raças rivais, equivalentes a si próprio, por milhares de batalhas, e ao fim os abateu!”
Chen Yu prendeu a respiração, assombrado — se as palavras da entidade fossem verídicas, tal corpo era realmente contrário à ordem natural; não admira que o próprio mundo o rejeitasse.
“Mesmo recém-desperta, já percebi que as leis do mundo lá fora mudaram — cultivar com esse corpo será ainda mais penoso do que na Antiguidade e, no momento crucial da ascensão, o próprio mundo impedirá. Até onde poderás chegar? Eis um mistério insondável...”
Chen Yu ponderou longamente, lutando consigo mesmo. Ao fim, porém, declarou com firmeza: “Se for possível, quero essa constituição!”
“Oh?” A entidade imortal, intrigada com sua escolha, não compreendia o que se passava em seu íntimo. Incapaz de condensar energia vital, abandonado à própria sorte, Chen Yu já se via como um inútil. Melhor arriscar tudo, ainda que a senda dos corpos divinos fosse árdua, do que nada tentar!
“Se podes, então transforma meu corpo em um corpo divino. Quem sabe, tentando, não alcanço o fim dessa jornada!” exclamou Chen Yu, resoluto.
A entidade imortal silenciou por um tempo, então assentiu — não havia outra escolha. Após milhões de anos adormecido, finalmente encontrara alguém capaz de despertá-lo; se não apostasse tudo, quando as raças retornassem, dificilmente surgiria entre os humanos um guerreiro supremo para enfrentá-las — e o destino do povo humano estaria selado.
“Embora eu tenha despertado, a energia no cristal é escassa — suficiente apenas para remodelar teu corpo. Depois, cairei novamente em torpor, até que tua força atinja certo patamar, e só então poderei despertar novamente. Ou seja, ao tornares-te detentor do corpo divino, tudo dependerá apenas de ti; até mesmo os métodos de cultivo terás de descobrir por ti próprio!” — advertiu a entidade, solene.
Chen Yu assentiu com decisão, sem qualquer temor. Seja pelo renascimento da humanidade, seja por si mesmo, era um caminho que precisava trilhar!
“Muito bem, então empregarei o supremo arcano e transformarei tua constituição!”